FORT BRAGG, Estados Unidos e FALLUJA, Iraque - O presidente americano, Barack Obama, se encontrou nesta quarta-feira com soldados na Carolina do Norte e oficializou o fim da guerra de quase nove anos no Iraque. Obama parabenizou as tropas pela "extraordinária realização" e disse que o conflito termina “não com uma batalha final, mas com uma marcha de volta para casa final”.
- A guerra no Iraque vai estar na História em breve, e seu serviço pertence à posteridade - disse o presidente. - A vontade de vocês (soldados) se mostrou mais forte que o terror daqueles que tentamos destruir.
Recebido por muitos aplausos, o presidente ressaltou o lado humano da guerra, destacando a bravura e os sacrifícios das forças americanas que agora estão voltando para casa. Ele lembrou o início da guerra, quando era apenas um senador e disse que as batalhas tiveram muitas reviravoltas.
- Nós sabíamos que esse dia chegaria. Já sabíamos disso há algum tempo. Mas, ainda assim, há algo de profundo no fim de uma guerra que durou tanto tempo.- afirmou o presidente. a milhares de soldados reunidos num hangar em Fort Bragg. - Como seu comandante e em nome de uma nação agradecida, estou orgulhoso em finalmente dizer essas duas palavras: sejam bem-vindos, sejam bem-vindos, sejam bem-vindos.
Quase nove anos após a invasão que capturou e matou Saddam Hussein, o governo americano vai acabar com sua presença militar no Iraque e retirar os cerca de 5.500 soldados remanescentes antes das festas de final do ano. No início da guerra, em março de 2003, os EUA chegou a deslocar 170 mil homens para o Iraque. Apenas um pequeno contingente de civis e menos de 200 funcionários do Exército americano vão permanecer no país. A guerra matou 4.500 soldados americanos e 60 mil iraquianos e custou mais de US$ 750 bilhões aos cofres americanos, disse Obama.
No Iraque, comemorações por saída americana
Cerca de 3 mil iraquianos foram às ruas de Falluja, no oeste do Iraque nesta quarta-feira para comemorar a saída das tropas americanas do país. A cidade já foi um reduto da al Qaeda e foi cenário de uma das mais duras batalhas da guerra.
Agitando bandeiras iraquianas e carregando cartazes com os dizeres “Falluja, a cidade da resistência”, moradores exaltaram os conterrâneos mortos durante a ocupação. Alguns chegaram até a queimar bandeiras americanas. A cidade testemunhou dois grandes conflitos com a tropa americana em 2004, com o uso de tanques, caças e helicópteros estrangeiros contra os iraquianos. Centenas de moradores morreram outros milhares foram obrigados a deixar suas casas.
- As comemorações marcam um dia histórico para a cidade de Falluja e nós devemos lembrar co orgulho dos mártires que sacrificaram seu sangue pelo bem dessa cidade - disse Dhabi al-Arsan, vice-governador da província de Anbar, onde fica Falluja, à multidão.
Para os cidadãos, a saída estrangeira finalmente dará a oportunidade de o país caminhar com as suas próprias pernas.
- Estou orgulhoso de ver os americanos deixando o Iraque. Somente agora nós vamos realmente sentir o gosto da liberdade e da independência. Nós não vamos mais ver forças americanas. Elas nos lembram luta e destruição - disse Ahmed Jassim, um motorista de táxi que participou da celebração.
por O Globo
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