{"id":10568,"date":"2020-11-06T16:58:30","date_gmt":"2020-11-06T16:58:30","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=10568"},"modified":"2020-11-06T16:58:30","modified_gmt":"2020-11-06T16:58:30","slug":"risco-de-segunda-onda-aumenta-pressao-por-medidas-de-auxilio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/11\/06\/risco-de-segunda-onda-aumenta-pressao-por-medidas-de-auxilio\/","title":{"rendered":"Risco de segunda onda aumenta press\u00e3o por medidas de aux\u00edlio"},"content":{"rendered":"<p>A segunda onda da covid-19 j\u00e1 registrada em pa\u00edses da Europa e nos EUA fez subir a press\u00e3o em uma ala do governo e tamb\u00e9m no Congresso pela prorroga\u00e7\u00e3o das medidas de combate aos efeitos da pandemia, principalmente o aux\u00edlio emergencial &#8211; cujo pagamento, a princ\u00edpio, ser\u00e1 encerrado em dezembro. Mas de olho no risco fiscal, a equipe econ\u00f4mica come\u00e7ou a costurar uma solu\u00e7\u00e3o legal para fechar a porta a uma eventual corrida de minist\u00e9rios para autorizar gastos na reta final do ano, deixando pagamentos &#8220;pendurados&#8221; para 2021 por meio dos chamados &#8220;restos a pagar&#8221; (despesas transferidas de um ano para o outro).<\/p>\n<p>Segundo apurou o Estad\u00e3o\/Broadcast, a inten\u00e7\u00e3o da equipe econ\u00f4mica \u00e9 publicar uma portaria para delimitar quais restos a pagar da pandemia poder\u00e3o ser pagos no ano que vem. Ser\u00e1 um procedimento especial \u00fanico para as despesas que foram feitas com base no chamado or\u00e7amento de guerra e que v\u00e3o ficar para 2021, criando uma esp\u00e9cie de cintur\u00e3o de seguran\u00e7a para a gest\u00e3o fiscal no ano que vem.<\/p>\n<p>Aprovado pelo Congresso, o or\u00e7amento de guerra tirou v\u00e1rias amarras de regras fiscais para permitir ao governo ampliar os gastos no combate aos efeitos da pandemia. A portaria est\u00e1 em an\u00e1lise na Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e dever\u00e1 ser publicada at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 15.<\/p>\n<p>Por essa regra, apenas os restos a pagar processados ficar\u00e3o de p\u00e9 de um ano para o outro. O carimbo de &#8220;processado&#8221; \u00e9 dado quando o governo reconhece a d\u00edvida, ou seja, quando o bem ou servi\u00e7o \u00e9 entregue, ou h\u00e1 o reconhecimento de um direito ao recebimento daquele recurso. Com isso, gastos n\u00e3o processados (ou seja, houve apenas a promessa de despesa, sem avan\u00e7o) n\u00e3o permanecer\u00e3o para os pr\u00f3ximos anos como restos a pagar. No caso do aux\u00edlio, s\u00f3 quem fizer jus ao benef\u00edcio em dezembro de 2020 poder\u00e1 receber qualquer eventual valor pendente em 2021.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o, a expectativa da equipe econ\u00f4mica \u00e9 fechar qualquer brecha legal que possa permitir aos minist\u00e9rios deixar uma fatura muito grande para 2021. Segundo apurou a reportagem, alguns \u00f3rg\u00e3os consultaram informalmente a \u00e1rea econ\u00f4mica sobre a possibilidade de empenhar recursos destinados originalmente \u00e0 crise para outras \u00e1reas que est\u00e3o com or\u00e7amento muito apertado em 2021.<\/p>\n<p>A prorroga\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio emergencial est\u00e1 sendo cobrada porque o governo demora em apontar uma solu\u00e7\u00e3o para o fim do benef\u00edcio. Uma das propostas defendidas \u00e9 a concess\u00e3o de mais dois aux\u00edlios por meio de medida provis\u00f3ria. H\u00e1 quem defenda a inclus\u00e3o dessa prorroga\u00e7\u00e3o na Medida Provis\u00f3ria 1.000, que estendeu o aux\u00edlio at\u00e9 o fim desteano com valor de R$ 300. A MP ainda n\u00e3o foi apreciada pelo Congresso.<\/p>\n<p>Press\u00e3o<\/p>\n<p>Essa press\u00e3o foi refor\u00e7ada por pesquisa da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Transporte (CNT) com o Instituto MDA, divulgada na semana passada, na qual 72% dos entrevistados defenderam a prorroga\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio por mais alguns meses a partir de janeiro de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 impressionante como o governo n\u00e3o conseguiu pautar ainda esse debate (a alternativa ao fim do aux\u00edlio)&#8221;, disse Pedro Fernando Nery, consultor do Senado. Para ele, h\u00e1 hoje um &#8220;abismo&#8221; que separa os dias 31 de dezembro e 1.\u00ba de janeiro de 2021, quando n\u00e3o haver\u00e1 mais o aux\u00edlio. O economista destaca que est\u00e1 contratada alta da pobreza, do desemprego e da desigualdade. &#8220;Alguma coisa ter\u00e1 de ser feita. N\u00e3o consigo pensar num assunto mais urgente.&#8221;<\/p>\n<p>Para Manoel Pires, coordenador do Observat\u00f3rio Fiscal do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE), \u00e9 muito prov\u00e1vel que depois do ver\u00e3o uma segunda onda da covid possa atingir o Brasil. &#8220;Seria adequado para o governo manter uma estrat\u00e9gia pela qual uma eventual renova\u00e7\u00e3o do benef\u00edcio seguisse a ideia de redu\u00e7\u00e3o gradual&#8221;, recomendou. Segundo ele, isso pode envolver uma redu\u00e7\u00e3o do valor do benef\u00edcio nos pr\u00f3ximos dois meses, dando tempo para avaliar quais s\u00e3o os reflexos de uma segunda onda l\u00e1 fora e como poderia se planejar para atuar no Brasil.<\/p>\n<p>J\u00e1 o l\u00edder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), disse que o Brasil tem uma onda longa da covid e que a preocupa\u00e7\u00e3o deve ser maior no ver\u00e3o com os voos que partem da Europa para o Brasil. Ele garante que n\u00e3o h\u00e1 planos de renova\u00e7\u00e3o do Estado de calamidade e nem de aux\u00edlios. &#8220;Se tivermos um fato extraordin\u00e1rio, todas as cartas ser\u00e3o colocadas na mesa, mas hoje estamos caminhando para uma n\u00e3o renova\u00e7\u00e3o do Estado de calamidade e vamos tratar do Renda Brasil&#8221;, disse. O Renda Brasil ou Cidad\u00e3 \u00e9 o novo programa que o governo estuda em substitui\u00e7\u00e3o ao Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Lideran\u00e7as do Congresso Nacional tamb\u00e9m j\u00e1 cogitaram a possibilidade de remanejar eventuais &#8220;sobras&#8221; dos gastos contra covid para investimentos p\u00fablicos. Em julho, a Casa Civil avaliou consultar o Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) sobre a possibilidade de empenhar em 2020 gastos com obras e investimentos a serem executados apenas nos pr\u00f3ximos anos. Revelada pelo Estad\u00e3o\/Broadcast, a consulta era um pedido do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Regional, e acabou sendo suspensa ap\u00f3s ser interpretada pelo mercado como tentativa de drible ao teto de gastos, que limita o avan\u00e7o das despesas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A segunda onda da covid-19 j\u00e1 registrada em pa\u00edses da Europa e nos EUA fez subir a press\u00e3o em uma ala do governo e tamb\u00e9m no Congresso pela prorroga\u00e7\u00e3o das medidas de combate aos efeitos da pandemia, principalmente o aux\u00edlio emergencial &#8211; cujo pagamento, a princ\u00edpio, ser\u00e1 encerrado em dezembro. 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