{"id":11202,"date":"2020-12-06T21:27:28","date_gmt":"2020-12-06T21:27:28","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=11202"},"modified":"2020-12-06T21:27:28","modified_gmt":"2020-12-06T21:27:28","slug":"pandemia-so-cresce-entre-jovens-ate-29-anos-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/12\/06\/pandemia-so-cresce-entre-jovens-ate-29-anos-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Pandemia s\u00f3 cresce entre jovens at\u00e9 29 anos em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>A propaga\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus entre jovens de at\u00e9 29 anos foi a que mais aumentou entre faixas et\u00e1rias desde o in\u00edcio da pandemia, de acordo com dados do governo de S\u00e3o Paulo. Em junho, esse grupo representava 20% dos casos positivos para a covid-19 e, desde setembro, j\u00e1 acumula 27% do total de infectados. O aumento est\u00e1 gerando conflito em fam\u00edlias de jovens que vivem com pessoas do grupo de risco. Todas as outras faixas et\u00e1rias diminu\u00edram o porcentual de infec\u00e7\u00f5es no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Dos 1.250.590 casos de coronav\u00edrus confirmados at\u00e9 1\u00ba de dezembro no Estado, 307.685 correspondem ao grupo de 0 a 29 anos. Ao mesmo tempo, essa \u00e9 a faixa et\u00e1ria menos atingida pelos casos de \u00f3bitos, acumulando menos de 500 do total de 42.290 mortes em S\u00e3o Paulo durante o mesmo per\u00edodo, o equivalente a menos de 2%.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros se referem apenas ao per\u00edodo em que os casos e mortes foram computados pela Secret\u00e1rio do Estado da Sa\u00fade e n\u00e3o quando de fato ocorreram. Mesmo assim, o pr\u00f3prio governo de S\u00e3o Paulo tem alertado para o crescimento da contamina\u00e7\u00e3o entre jovens. Em coletiva de imprensa no dia 26 de novembro, o coordenador do Centro de Conting\u00eancia da Covid-19, Jo\u00e3o Medina, alertou para a forma como essa faixa et\u00e1ria tem ajudado a disseminar a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s realmente temos um aumento dos casos positivos em todos os laborat\u00f3rios, principalmente envolvendo jovens. Esse \u00e9 um perfil que tamb\u00e9m aconteceu na Europa&#8221;, afirmou. Medina ainda acrescentou que eles s\u00e3o &#8220;vetores&#8221; e levam o v\u00edrus para casa, infectando o restante da fam\u00edlia. O alerta foi refor\u00e7ado na sequ\u00eancia pelo governador Jo\u00e3o Doria (PSDB): &#8220;O maior problema est\u00e1 concentrado nos jovens.&#8221;<\/p>\n<p>Especialistas ouvidos pelo Estad\u00e3o afirmam que este n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno exclusivo de S\u00e3o Paulo ou do Brasil, mas do mundo inteiro, que observou a taxa de contamina\u00e7\u00e3o entre jovens subir com a flexibiliza\u00e7\u00e3o da quarentena. &#8220;At\u00e9 junho e julho, todo mundo ficou quieto. Quando come\u00e7amos a flexibilizar, as pessoas come\u00e7aram a sair com os protocolos, que foram seguidos pelos estabelecimentos, mas depois ca\u00edram em desuso pela popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma Sylvia Lemos Hinrichsen, m\u00e9dica infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia.<\/p>\n<p>&#8220;O que observamos \u00e9 que os jovens criaram esse problema&#8221;, refor\u00e7a, explicando como o Brasil seguiu a mesma trajet\u00f3ria de infec\u00e7\u00f5es observada no ver\u00e3o do hemisf\u00e9rio norte. &#8220;Esse fen\u00f4meno est\u00e1 acontecendo no mundo todo, porque s\u00e3o essas as pessoas que n\u00e3o querem seguir protocolo de distanciamento e pensam em pegar logo o v\u00edrus para ficarem &#8216;imunes&#8217;, mas n\u00e3o pensam em como v\u00e3o transmitir isso para os outros.&#8221;<\/p>\n<p>Para Margareth Dalcolmo, pneumologista da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, o sentimento de onipot\u00eancia dos jovens e o crescimento dos casos nesta popula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma &#8220;cr\u00f4nica anunciada&#8221; desde mar\u00e7o, quando foi prevista uma &#8220;renova\u00e7\u00e3o&#8221; da covid-19 no Brasil. &#8220;N\u00e3o somos um pa\u00eds de popula\u00e7\u00e3o geri\u00e1trica como It\u00e1lia e Fran\u00e7a. No pico epid\u00eamico, houve um momento em que mais de 50% dos leitos no Rio de Janeiro estavam ocupados por pessoas com menos de 50 anos. E imagino que agora v\u00e1 ocorrer o mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>Ela acredita que o Brasil ainda n\u00e3o chegou a uma segunda onda e apenas recrudesceu \u00e0 primeira, um cen\u00e1rio que tem os ingredientes perfeitos para se agravar ap\u00f3s as festas de fim de ano. &#8220;\u00c9 preciso entender que os jovens sa\u00edram mais, est\u00e3o se aglomerando, se acham invulner\u00e1veis, e a doen\u00e7a mudou de lugar. Eles foram para a rua e trouxeram o v\u00edrus para casa, infectando os familiares&#8221;, alerta.<\/p>\n<p>Margareth defende que, al\u00e9m do respeito a medidas sanit\u00e1rias como o uso de m\u00e1scaras, a higieniza\u00e7\u00e3o das m\u00e3os e o distanciamento social, \u00e9 preciso haver mais fiscaliza\u00e7\u00e3o em transportes p\u00fablicos, eventos, bares e restaurantes. &#8220;Isso est\u00e1 mais do que demonstrado. Estamos atendendo muito mais jovens [nos hospitais]. As crian\u00e7as tamb\u00e9m t\u00eam se contaminado mais&#8221;, afirma. &#8220;Poderemos come\u00e7ar o pr\u00f3ximo ano com uma segunda onda mais letal e mais dram\u00e1tica, se nada for feito hoje, agora.&#8221;<\/p>\n<p>Festas e encontros com amigos criam tens\u00e3o entre jovens<\/p>\n<p>Adolescentes e jovens v\u00eam relatando um clima de press\u00e3o de fora para retomar atividades de lazer versus a tens\u00e3o em casa por parentes que querem manter o isolamento. Aqueles que moram com pessoas do grupo de risco tentam se equilibrar entre o ass\u00e9dio para sair, que chega por mensagens nos celulares, e o medo de contaminar pais e av\u00f3s. E quem ainda est\u00e1 preocupado com a doen\u00e7a at\u00e9 se arrisca um pouco, mas escolhe as amizades que compartilham os mesmos protocolos.<\/p>\n<p>Pedro Ewerton, de 25 anos, mora com os pais, que fazem parte do grupo de risco para a covid-19, e diz que falta sair fa\u00edsca sempre que algum plano de flexibilizar o isolamento \u00e9 colocado em discuss\u00e3o. Ao mesmo tempo, fotos e stories dos amigos em festas proliferam no Instagram e contaminam o humor. &#8220;Minhas redes sociais est\u00e3o bombando. Por mais que voc\u00ea seja forte, mesmo que voc\u00ea ignore, isso pesa.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Antes da pandemia, eu sa\u00eda todo fim de semana para festa e rol\u00eas&#8221;, diz o rapaz, que trabalha com marketing digital em home office e conta nos dedos as vezes em que p\u00f4s o nariz, coberto pela m\u00e1scara, para fora. &#8220;S\u00e3o 9 meses. Gostaria de sair um pouco mais para a casa dos meus amigos, tomar uma &#8216;breja&#8217;, falar baboseira, dar risada. Mas nem isso minha m\u00e3e deixa, ela est\u00e1 muito assustada. Quando perguntei se podia ir \u00e0 casa do meu amigo, foi a maior briga de todos os tempos&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Na casa da arquiteta Tha\u00eds Mendes, de 25 anos, os gr\u00e1ficos da covid-19 s\u00e3o assunto do jantar. Ela, que mora com pai diab\u00e9tico, m\u00e3e hipertensa e av\u00f3 de 80 anos, \u00e9 a \u00fanica que n\u00e3o faz parte do grupo de risco da covid. Nem por isso se permite ir a festas ou bares porque tem medo de infectar os parentes. A tens\u00e3o n\u00e3o vem de casa, mas de fora, com as not\u00edcias que chegam dos amigos e conhecidos pela Internet.<\/p>\n<p>&#8220;Fiquei muito irritada porque vi amigos indo para festas com 40 pessoas, no auge de pandemia, e postando nas redes sociais&#8221;, diz a jovem, que fala em &#8220;decep\u00e7\u00e3o&#8221; e avalia ter se afastado de algumas pessoas com quem mantinha contato virtual &#8220;pelo bem da sa\u00fade mental&#8221;. Para espairecer, escolheu duas amigas, que ela sabia que tinham as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es, e marcou um encontro em casa, em um c\u00f4modo separado de todos. Isso s\u00f3 depois que o munic\u00edpio de Bragan\u00e7a Paulista, no interior paulista, onde a fam\u00edlia mora, ficou mais de 15 dias sem registrar mortes pela covid-19.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A propaga\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus entre jovens de at\u00e9 29 anos foi a que mais aumentou entre faixas et\u00e1rias desde o in\u00edcio da pandemia, de acordo com dados do governo de S\u00e3o Paulo. Em junho, esse grupo representava 20% dos casos positivos para a covid-19 e, desde setembro, j\u00e1 acumula 27% do total de infectados. 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