{"id":12481,"date":"2021-01-27T23:24:34","date_gmt":"2021-01-27T23:24:34","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=12481"},"modified":"2021-01-27T23:24:34","modified_gmt":"2021-01-27T23:24:34","slug":"brasil-e-as-vacinas-para-covid-19-o-que-nos-restam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/01\/27\/brasil-e-as-vacinas-para-covid-19-o-que-nos-restam\/","title":{"rendered":"Brasil e as vacinas para Covid-19, o que nos restam?"},"content":{"rendered":"<p>De longa data, escutamos falar que tudo que \u00e9 produzido de melhor no Brasil, n\u00e3o fica com os brasileiros. As argumenta\u00e7\u00f5es seguem enfocando que somente as sobras ficam para a maioria da popula\u00e7\u00e3o e as melhores coisas, ou ir\u00e3o para fora do Brasil, ou ficar\u00e3o com os poucos privilegiados. Ser\u00e1 que essa argumenta\u00e7\u00e3o tem fundamenta\u00e7\u00e3o, ou \u00e9 uma percep\u00e7\u00e3o exagerada? O que enxergamos nessa pandemia? e o que h\u00e1 de novo que refute esse argumento ou o confirme? Acreditamos que n\u00e3o t\u00eam muita coisa nova, todavia sim, os modos que est\u00e1 sendo conduzida a pandemia, certificam que essa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exagerada, de forma alguma, estamos colhendo o que foi plantado e ficamos apenas, at\u00e9 agora, com o que restou. Portanto, estamos ficando com as piores consequ\u00eancias do que restou da pandemia, destacando aqui que a pandemia n\u00e3o acabou e que as vacinas mais modernas (Pfizer BioNtech e Moderna) est\u00e3o por passar pelas provas de efic\u00e1cia (novas variantes virais) e durabilidade[1],[2]. Dentre as coisas que restaram, at\u00e9 o momento, nessa pandemia temos:<\/p>\n<p>O terceiro lugar no ranking de n\u00fameros de infectados (poderia ter ultrapassado o segundo lugar e est\u00e1 disputando o primeiro lugar, caso n\u00e3o fosse a baixa testagem)[3];<br \/>\nO segundo lugar no n\u00famero de mortos (aumento desenfreado de mortes que poder\u00e1 nos levar ao primeiro lugar)[4];<br \/>\nRecorde em taxa de desemprego na pandemia[5];<br \/>\nEstoque de Hidroxicloroquina para 100 anos[6] (prescri\u00e7\u00e3o pol\u00edtica[7],[8],[9],[10]);<br \/>\nDisparada nos pre\u00e7os de Ivermectina[11] e Anitta[12] (prescri\u00e7\u00f5es pol\u00edtica[13]);<br \/>\nBrasil est\u00e1 entre os pa\u00edses com maiores desigualdades sociais (aumento significativo no n\u00famero de pessoas vivendo em condi\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria)[14];<br \/>\nPoucas doses da vacina Coronavac e pouqu\u00edssimas doses da vacina Astrazeneca (destacando aqui a baixa efic\u00e1cia da primeira, 50,38%, e 70% de efic\u00e1cia da segunda \u2013 sendo que imunizou, at\u00e9 o momento, menos de 2% da popula\u00e7\u00e3o, e que a primeira n\u00e3o \u00e9, se quer, considerada entre os pa\u00edses desenvolvidos e representa a maior quantidade de vacinas[15].<br \/>\nFechamento, novamente, das fronteiras de alguns pa\u00edses para o Brasil, devido ao descontrole pand\u00eamico e as novas variantes[16].<\/p>\n<p>O Governo Federal, sem um programa bem concretizado de enfrentamento da pandemia, perdido nas cren\u00e7as e devaneios das solu\u00e7\u00f5es pragm\u00e1ticas, ideol\u00f3gicas, desumanas, focando apenas na retomada da economia, desconectado da vis\u00e3o cient\u00edfica sobre o coronav\u00edrus, p\u00f5e o Brasil entre os pa\u00edses que tardar\u00e1 a controlar as contamina\u00e7\u00f5es pelo coronav\u00edrus. Em meio as solu\u00e7\u00f5es apontadas pelo mundo cient\u00edfico, as quais despertam as preocupa\u00e7\u00f5es decorrentes das varia\u00e7\u00f5es virais, enfatizando aqui as novas tecnologias para produ\u00e7\u00e3o de vacina (Pfizer BioNtech e Moderna)[17], as quais, possivelmente, ser\u00e3o as que poder\u00e3o responder aos novos sorotipos virais, foram, de certo modo, desconsideradas pelo governo federal[18],[19]. Ent\u00e3o, para os brasileiros restam apenas o que sobrou, as poucas e as piores vacinas para Covid-19, que poder\u00e3o n\u00e3o ser eficazes para v\u00edrus de alta capacidade de muta\u00e7\u00e3o. Entretanto para n\u00e3o incorrer em risco de tautologia das quest\u00f5es que conhecemos, o novo \u00e9 que: mesmo sob uma doen\u00e7a, a qual n\u00e3o demonstra predile\u00e7\u00e3o de classe, apesar das consequ\u00eancias serem mais graves entre os vulnerados[20], a falta de planejamento, organiza\u00e7\u00e3o e o individualismo v\u00eam demonstrando a pervers\u00e3o da classe que se sente privilegiada. Diante do desespero e o medo da morte, \u201cos fura-filas\u201d[21]recorrem as prerrogativas inexistentes, transcrevendo para o mundo uma com\u00e9dia de terror a moda brasileira.<\/p>\n<p>Conclui-se que, os desd\u00e9ns, desde que a pandemia come\u00e7ou, foram tra\u00e7os marcados nas estruturas do governo federal. Inicialmente, a pandemia foi tratada como uma \u201cgripezinha\u201d[22]; como foi apresentado a f\u00f3rmula \u201cmachista\u201d de enfrent\u00e1-la, \u201ctem que deixar de ser um pa\u00eds de maricas\u201d[23]; chegando se at\u00e9 o ponto de ignorar o sofrimento e a morte das pessoas, \u201ctodos n\u00f3s vamos morrer um dia\u201d[24]; at\u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o da com\u00e9dia de terror a moda brasileira, relacionado com a vacina autorizada com pior taxa de imuniza\u00e7\u00e3o, mas muita briga para ser o primeiro a imunizar, \u201cos fura-filas\u201d[25]. Portanto, a percep\u00e7\u00e3o e o sentimento de que ficamos com os restos, as sobras, n\u00e3o s\u00e3o inver\u00eddicas, todavia, transcreve a nossa capacidade de se organizar socialmente, assim como, reflete o amargor do individualismo e desumanidade. A falta do esp\u00edrito de coletividade, historicamente, sabemos onde tem origem, somadas as ideias dos interesses de desorganiza\u00e7\u00e3o e colonialismo. Mas, o que existe de novo \u00e9 o nosso poder de percep\u00e7\u00e3o, de reflex\u00e3o e n\u00e3o se acomodar, no intuito de romper com essa ciranda, viciosa, tautol\u00f3gica, a qual nos leva a compreender que temos um dos pa\u00edses mais ricos do mundo e mais desiguais, por n\u00e3o conseguimos nos organizar socialmente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por \u00c2ngelo Augusto Ara\u00fajo (angeloaugusto@me.com), m\u00e9dico, pesquisador, doutor em sa\u00fade p\u00fablica e doutorando em Bio\u00e9tica pela Universidade do Porto.<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De longa data, escutamos falar que tudo que \u00e9 produzido de melhor no Brasil, n\u00e3o fica com os brasileiros. As argumenta\u00e7\u00f5es seguem enfocando que somente as sobras ficam para a maioria da popula\u00e7\u00e3o e as melhores coisas, ou ir\u00e3o para fora do Brasil, ou ficar\u00e3o com os poucos privilegiados. 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