{"id":13755,"date":"2021-03-14T15:10:02","date_gmt":"2021-03-14T15:10:02","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=13755"},"modified":"2021-03-14T15:10:02","modified_gmt":"2021-03-14T15:10:02","slug":"internacoes-de-idosos-com-90-anos-ou-mais-caem-20","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/03\/14\/internacoes-de-idosos-com-90-anos-ou-mais-caem-20\/","title":{"rendered":"Interna\u00e7\u00f5es de idosos com 90 anos ou mais caem 20%"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de novas interna\u00e7\u00f5es de idosos com 90 anos ou mais por covid caiu 20% ap\u00f3s pouco mais de um m\u00eas do in\u00edcio da campanha de vacina\u00e7\u00e3o, o que contrasta com a alta de 10% no n\u00famero geral de hospitaliza\u00e7\u00f5es pela doen\u00e7a observada no mesmo per\u00edodo no Pa\u00eds. Na faixa et\u00e1ria dos 30 aos 39 anos, o aumento foi de 50%. Os dados indicam que a imuniza\u00e7\u00e3o dos grupos mais vulner\u00e1veis, iniciada em 18 de janeiro, pode j\u00e1 estar causando impacto positivo na evolu\u00e7\u00e3o da pandemia nessa popula\u00e7\u00e3o e refor\u00e7am a necessidade de acelera\u00e7\u00e3o da campanha.<\/p>\n<p>Os \u00edndices foram calculados pelo Estad\u00e3o com base nos dados do Sivep-Gripe, sistema do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade que traz os dados sobre interna\u00e7\u00f5es por S\u00edndrome Respirat\u00f3ria Aguda Grave (Srag). Selecionando s\u00f3 os registros com confirma\u00e7\u00e3o para covid por faixa et\u00e1ria, a reportagem verificou que o n\u00famero de novas hospitaliza\u00e7\u00f5es de pessoas com 90 anos ou mais caiu de 528 na \u00faltima semana epidemiol\u00f3gica (SE) de janeiro &#8211; primeira ap\u00f3s o in\u00edcio da campanha &#8211; para 425 na \u00faltima SE de fevereiro, quando o programa de imuniza\u00e7\u00e3o completava cinco semanas.<\/p>\n<p>Se considerado todo o grupo de idosos, ou seja, brasileiros com 60 anos ou mais, tamb\u00e9m houve uma queda nas interna\u00e7\u00f5es, ainda que t\u00edmida: 2,7% (de 9.327 para 9.073 casos entre as semanas analisadas). J\u00e1 o n\u00famero de novas interna\u00e7\u00f5es por covid em todas as faixas et\u00e1rias subiu de 16.699 para 18.347 (alta de 10%). Entre a popula\u00e7\u00e3o de 30 a 39 anos, na qual foi registrado o maior aumento porcentual (50%), as novas interna\u00e7\u00f5es passaram de 1.292 para 1.767 no intervalo analisado.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise foi feita at\u00e9 a \u00faltima semana epidemiol\u00f3gica de fevereiro (SE 8) porque a notifica\u00e7\u00e3o dos casos no sistema federal costuma demorar dias ou semanas, o que faz os dados mais recentes, de mar\u00e7o, estarem incompletos ou defasados. Por essa raz\u00e3o, o Estad\u00e3o tamb\u00e9m decidiu n\u00e3o analisar os dados de \u00f3bitos por faixa et\u00e1ria, pois como a morte costuma ocorrer semanas ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o, os dados do final de fevereiro provavelmente seriam referentes a infec\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias \u00e0 vacina.<\/p>\n<p>A campanha de imuniza\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds teve in\u00edcio em 18 de janeiro com a vacina\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade, ind\u00edgenas e idosos que vivem em institui\u00e7\u00f5es de longa perman\u00eancia. No come\u00e7o de fevereiro, a maioria dos Estados ampliou a campanha para qualquer idoso a partir de 90 anos.<\/p>\n<p>Especialistas dizem que ainda \u00e9 cedo para atribuir a redu\u00e7\u00e3o somente \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, principalmente pelo fato de as vacinas precisarem de tr\u00eas a seis semanas, dependendo do imunizante, para conferir prote\u00e7\u00e3o. Mas admitem que os primeiros resultados da campanha podem j\u00e1 estar aparecendo. &#8220;Uma diminui\u00e7\u00e3o de 20% nas hospitaliza\u00e7\u00f5es j\u00e1 \u00e9 um n\u00famero que nos anima, em especial em um grupo que a gente sabe ser muito vulner\u00e1vel. Esse dado, ainda que preliminar, confirma estudos de efetividade feitos em pa\u00edses com vacina\u00e7\u00e3o mais acelerada e que viram quedas nas mortes e hospitaliza\u00e7\u00f5es. S\u00e3o resultados da vida real que mostram que a vacina funciona&#8221;, diz Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imuniza\u00e7\u00f5es (SBIm).<\/p>\n<p>Ele se refere a an\u00e1lises feitas na Europa com os resultados de efetividade da aplica\u00e7\u00e3o em massa dos imunizantes da Pfizer\/BioNTech e Oxford\/AstraZeneca, esta \u00faltima dispon\u00edvel em Brasil. Cunha explica que, embora ainda n\u00e3o tenhamos estudos do tipo para a Coronavac, \u00e9 comum que imunizantes com mais de uma dose j\u00e1 comecem a provocar alguma resposta imune mesmo antes de conclu\u00eddo o esquema vacinal. &#8220;Em todas as vacinas que t\u00eam esquema de mais de uma dose, a imunidade vai num crescente a partir da primeira e chega ao \u00edndice m\u00e1ximo, aquele visto no estudo cl\u00ednico, depois da conclus\u00e3o de todas as doses.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo estudos, a vacina Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca, tem efic\u00e1cia de 76% ap\u00f3s tr\u00eas semanas da aplica\u00e7\u00e3o da primeira dose. J\u00e1 a Coronavac, produzida pelo Instituto Butantan, alcan\u00e7a a efic\u00e1cia ideal duas semanas ap\u00f3s a segunda dose (o tempo total entre a primeira dose e a prote\u00e7\u00e3o varia de 5 a 6 semanas, dependendo do intervalo entre as duas doses). Isso n\u00e3o quer dizer, como explicou Cunha, que antes disso n\u00e3o haja nenhuma prote\u00e7\u00e3o, mas esses dados ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>Pesquisador em sa\u00fade p\u00fablica da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), Leonardo Bastos pondera que, embora os dados possam j\u00e1 demonstrar uma tend\u00eancia de queda nas hospitaliza\u00e7\u00f5es de indiv\u00edduos dos grupos vacinados, o comportamento dos mais jovens tamb\u00e9m pode explicar por que as hospitaliza\u00e7\u00f5es caem entre idosos e sobem em outras faixas et\u00e1rias. &#8220;Os idosos ainda parecem estar mais reclusos do que os mais jovens, que est\u00e3o se expondo mais ao risco. H\u00e1 tamb\u00e9m as novas variantes, cujo papel ainda n\u00e3o sabemos. Pode j\u00e1 ter um efeito da vacina (na queda das hospitaliza\u00e7\u00f5es entre idosos), mas acredito que ele seja pequeno&#8221;, opina o especialista.<\/p>\n<p>Para Juarez Cunha, a acelera\u00e7\u00e3o da vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel n\u00e3o s\u00f3 para salvar vidas, mas tamb\u00e9m para reduzir a press\u00e3o sobre o sistema de sa\u00fade em momentos cr\u00edticos como o atual. &#8220;Mesmo que seja uma redu\u00e7\u00e3o de 10% de interna\u00e7\u00f5es de idosos, j\u00e1 alivia a demanda&#8221;, diz.<\/p>\n<p><strong>Vacinados<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com an\u00e1lise feita pelo Estad\u00e3o a partir dos microdados de vacina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade existentes no portal de dados abertos Brasil.io, cerca de 43,4 mil idosos com 90 anos ou mais (institucionalizados ou n\u00e3o) tomaram a primeira dose da vacina ainda em janeiro, o que poderia j\u00e1 significar algum n\u00edvel de prote\u00e7\u00e3o no fim de fevereiro. Desse total, 23,5 mil receberam a Coronavac e outros 19,9 mil, a Covishield. At\u00e9 a \u00faltima quinta-feira, dia 10, 583 mil idosos dessa faixa et\u00e1ria haviam sido vacinados, dos quais 262 mil j\u00e1 receberam tamb\u00e9m a segunda dose.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de novas interna\u00e7\u00f5es de idosos com 90 anos ou mais por covid caiu 20% ap\u00f3s pouco mais de um m\u00eas do in\u00edcio da campanha de vacina\u00e7\u00e3o, o que contrasta com a alta de 10% no n\u00famero geral de hospitaliza\u00e7\u00f5es pela doen\u00e7a observada no mesmo per\u00edodo no Pa\u00eds. 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