{"id":14889,"date":"2021-04-19T23:36:45","date_gmt":"2021-04-19T23:36:45","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=14889"},"modified":"2021-04-19T23:36:45","modified_gmt":"2021-04-19T23:36:45","slug":"desigualdade-e-individualismo-a-triste-realidade-que-nos-leva-a-conviver-com-o-coronavirus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/04\/19\/desigualdade-e-individualismo-a-triste-realidade-que-nos-leva-a-conviver-com-o-coronavirus\/","title":{"rendered":"Desigualdade e individualismo, a triste realidade que nos leva a conviver com o coronav\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>Em 14\/04\/21, o Jornal Correio Braziliense noticia a dificuldade econ\u00f4micas e financeiras dos brasileiros[1], destacando que aproximadamente 125 milh\u00f5es de pessoas, possivelmente, ter\u00e3o dificuldades de alimentar-se bem. O jornal aponta que 6 em cada 10 fam\u00edlias brasileiras atingem n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar. Segundo esses dados, as consequ\u00eancias econ\u00f4micas da pandemia agravaram significativamente a situa\u00e7\u00e3o da desigualdade social que viv\u00edamos. Ainda de acordo com o Jornal, os aux\u00edlios partilhados pelo governo n\u00e3o foram e nem est\u00e1 sendo suficientes para suprimir as necessidades de grande parte da popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>O foco primordial do governo federal[2], desde que a pandemia come\u00e7ou, foi sempre declarada na sustenta\u00e7\u00e3o da economia, mesmo que ao custo das vidas dos cidad\u00e3os. Nessa percep\u00e7\u00e3o que enfatiza a preserva\u00e7\u00e3o da economia e, consequentemente, empregos, a desconex\u00e3o do intento ocorre quando se transfere a responsabilidade que \u00e9 do Estado, nesse momento de crise, para o indiv\u00edduo. Tratando-se de uma pandemia que tem como solu\u00e7\u00e3o parcial restri\u00e7\u00f5es sociais que causam importantes impactos na economia de um modo geral. As desconsidera\u00e7\u00f5es iniciais quanto ao manejo da pandemia, considerando a tremenda desigualdade social e concentra\u00e7\u00e3o de renda que existem, associados os maus exemplos na condu\u00e7\u00e3o, as descoordena\u00e7\u00f5es de condutas e as falsas promessas de tratamentos sem comprova\u00e7\u00f5es, trariam consequ\u00eancias e riscos de endemiza\u00e7\u00e3o, em altos n\u00edveis de contaminados e mortos, ao que levaria a necessidade de abertura e fechamento das atividades laborativas, com preju\u00edzos significantes sociais e econ\u00f4micos. As resolu\u00e7\u00f5es dos problemas econ\u00f4micos e sociais, como consequ\u00eancias dos fatos, vem sendo introjetada e estendida para cada indiv\u00edduo nas buscas de solu\u00e7\u00f5es particularizadas, levando a desconsidera\u00e7\u00e3o dos prop\u00f3sitos condicionais e contratuais (constitucionais), aos quais nos fazem identificar como na\u00e7\u00e3o. Sem resolu\u00e7\u00f5es al\u00e9m das apontadas, as que refor\u00e7am o individualismo, os debates entre a popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o engendrados pelas disputas das maneiras de aceita\u00e7\u00e3o da morte: Ou morreremos de fome, ou da Covid-19. Essa falta de orienta\u00e7\u00e3o, de direcionamento, a qual permitir\u00e1 um norte para a grande parte da popula\u00e7\u00e3o, conduz a muitos brasileiros a naturaliza\u00e7\u00e3o da morte[3], seja por um motivo ou por outro. A situa\u00e7\u00e3o descontrolada da pandemia sem que haja um horizonte temporal, ao qual permita o cidad\u00e3o vislumbrar um poss\u00edvel retorno a \u201cnormalidade\u201d, vivenciando a perda patrimonial e a fome, conduz ao pr\u00f3prio instinto de sobreviv\u00eancia e leva, particularmente, a um contingente significante da popula\u00e7\u00e3o a aceitar as condi\u00e7\u00f5es de conv\u00edvio e risco de morte pela Covid-19.<\/p>\n<p>Recentemente, a CNN internacional[4] p\u00f4s em debate a reabertura de escolas, bares e restaurantes no Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, tendo em vista a alta taxa de ocupa\u00e7\u00e3o de UTIs (o par\u00e2metro mediador utilizado, devido a cegueira epidemiol\u00f3gica[5]) n\u00e3o indicavam a reabertura, pelo contr\u00e1rio, indicavam medidas de restri\u00e7\u00f5es urgentes. Nesse mesmo artigo, \u00e9 debatido, de forma dura, as maneiras que o Brasil vem adotando para controlar a pandemia, enfatizando o completo descontrole e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>Pandemia: Panorama Mundial<\/p>\n<p>De acordo com os dados coletados, esse t\u00f3pico tem como objetivo discorrer, brevemente, sobre a situa\u00e7\u00e3o da pandemia em diversos pa\u00edses.<\/p>\n<p>As na\u00e7\u00f5es como a Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia s\u00e3o exemplos de controle pand\u00eamico, com um contingente populacional muito pequeno de vacinados, aproximadamente 6% e 2,1%[6], respectivamente, a pandemia vem sendo controlada por rigorosas medidas de mitiga\u00e7\u00f5es[7],[8]. Atualmente, as popula\u00e7\u00f5es dos dois pa\u00edses est\u00e3o vivendo, praticamente, dentro de uma normalidade controlada.<\/p>\n<p>De outro modo, amparados pelas restri\u00e7\u00f5es severas e mais prolongadas causadas pelos descontroles iniciais, assim como, a vacina\u00e7\u00e3o em massa com os melhores imunizantes, est\u00e3o os Estados Unidos da Am\u00e9rica (EUA) e o Reino Unido (RU), 24,6% e 13,4% da popula\u00e7\u00e3o imunizada[9], respectivamente, est\u00e3o entre os pa\u00edses que t\u00eam maiores n\u00fameros de \u00f3bitos, sendo que, atualmente, o RU esbo\u00e7a controle com queda significante no n\u00famero de \u00f3bitos di\u00e1rios, mas os EUA ainda apresentam grande n\u00famero de infectados e mortes. Os EUA tiveram aumento de contaminados em 10% na \u00faltima semana, sendo que o CDC \u2013 Centro de Controle de Doen\u00e7as Contagiosas \u2013 est\u00e1 alertando a todo tempo sobre os riscos causados pelo relaxamento das restri\u00e7\u00f5es[10].<\/p>\n<p>Em meio aos exemplos, Israel \u00e9 um dos pa\u00edses que come\u00e7a a retornar \u00e0 \u201cnormalidade\u201d, ap\u00f3s restri\u00e7\u00e3o severa e vacina\u00e7\u00e3o em massa (59%)[11]. \u00c9 um pa\u00eds a ser observado rigorosamente nos pr\u00f3ximos meses por conta da acelera\u00e7\u00e3o da imuniza\u00e7\u00e3o, observando a efic\u00e1cia e durabilidade dos imunizantes.<\/p>\n<p>A Europa, devido a pouca imuniza\u00e7\u00e3o e ao retorno da \u201cnormalidade\u201d (relaxamento das restri\u00e7\u00f5es) de forma precoce, sofre a terceira onda pand\u00eamica[12]. O Canad\u00e1, atualmente, est\u00e1 em alerta de riscos da terceira onda, baixa imuniza\u00e7\u00e3o e aparecimento de novas variantes, entrar\u00e1 novamente em lockdown[13].<\/p>\n<p>Brasil e \u00cdndia, realidades que se assemelham<\/p>\n<p>Todos os pa\u00edses citados no par\u00e1grafo anterior apresentam peculiaridades que s\u00e3o ajustadas de acordo com as condi\u00e7\u00f5es locais. \u00c9 evidente os impactos relacionados com as particularidades culturais e os n\u00edveis de igualdades sociais. Hodiernamente, na \u00cdndia, atual epicentro mundial de contamina\u00e7\u00e3o, as quest\u00f5es relacionadas a cultura, desigualdade social e baixa imuniza\u00e7\u00e3o est\u00e3o sendo importantes fatores de contamina\u00e7\u00f5es, \u00f3bitos e gera\u00e7\u00e3o de novas variantes virais[14],[15]. N\u00e3o diferentemente da \u00cdndia, o Brasil encontra-se em uma escalada de contamina\u00e7\u00e3o e mortes pelo coronav\u00edrus, a qual n\u00e3o esbo\u00e7a solu\u00e7\u00e3o definitiva, os dois pa\u00edses apostam tudo nas vacinas[16],[17],[18],[19]. Particularmente referindo ao Brasil, as aus\u00eancias de solu\u00e7\u00f5es que possam diminuir a circula\u00e7\u00e3o e o contato entre as pessoas, associado a baixa e lenta imuniza\u00e7\u00e3o, conduz o Brasil a Endemiza\u00e7\u00e3o, isolamento e gera\u00e7\u00e3o de novas variantes[20]. Em pronunciamento do dia 09\/04\/21[21], a OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade) declarou que, infelizmente,<br \/>\no Brasil n\u00e3o ir\u00e1 domar a pandemia somente com a vacina, reafirmando outro pronunciamento global realizado no dia 09\/11\/20[22].<\/p>\n<p>No Brasil, as estrat\u00e9gias baseadas em \u201cocupa\u00e7\u00e3o hospitalar\u201d que libera as atividades de acordo com a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o dos leitos, tornam-se, cada vez mais, confusas e criativas. Fugindo das intrujices e transcrevendo claramente o que as estrat\u00e9gias norteiam s\u00e3o efeitos \u201csanfona\u201d (abertura e fechamento das atividades com frequ\u00eancia)[23], ou seja, somados a lentid\u00e3o das imuniza\u00e7\u00f5es, permitir\u00e3o a circula\u00e7\u00e3o viral e gera\u00e7\u00e3o de novas variantes. Outra quest\u00e3o \u00e9 que, de acordo com o ritmo de vacina\u00e7\u00e3o, quando chegarmos a metade da popula\u00e7\u00e3o imunizadas, caso os imunizantes apresentem os efeitos desejados, teremos que revacinar as primeiras pessoas que foram imunizadas.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o do Brasil, tal como outros pa\u00edses do mundo com grande desigualdade social, \u00e9 muito ca\u00f3tica. A popula\u00e7\u00e3o de vulnerados que, sem amparo do governo, n\u00e3o conseguir\u00e1 ficar em casa, \u00e9 muito grande. As desconsidera\u00e7\u00f5es iniciais, quanto a evolu\u00e7\u00e3o da pandemia, foram deveras significantes, e representam o completo descontrole, assim como aos conflitos de pensamentos, morrer de fome ou da Covid-19, ao qual nos encontramos. A popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 cansada das perdas financeiras, do isolamento social, principalmente, dos riscos de contamina\u00e7\u00e3o e \u00f3bitos. Sem um direcionamento do Estado, no intuito constitucional de proteger e preservar a vida, direito fundamental, a pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o admite os riscos de viver com a pandemia e parte para a exposi\u00e7\u00e3o ao v\u00edrus.<\/p>\n<p>Conclus\u00e3o<\/p>\n<p>Portanto, o despreparo e a vis\u00e3o dogm\u00e1tica que nos conduziu a propaga\u00e7\u00e3o e o descontrole da pandemia, exp\u00f5em os vulnerados. Quando se pensa no planeta, os pa\u00edses que estar\u00e3o mais expostos, as dr\u00e1sticas consequ\u00eancias da pandemia, ser\u00e3o os pa\u00edses mais pobres e que vivem a margem. Quando se pensa em uma na\u00e7\u00e3o, a l\u00f3gica \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o menos favorecida ser\u00e3o os mais suscept\u00edveis. A solu\u00e7\u00e3o para o planeta adoecido pela pandemia ter\u00e1 que ser global, n\u00e3o adiantar\u00e3o nada as solu\u00e7\u00f5es isoladas de algumas na\u00e7\u00f5es. Caso as vacinas n\u00e3o resolvam a pandemia, a curto e m\u00e9dio prazo, o v\u00edrus retornar\u00e1 at\u00e9 completar o seu ciclo de destrui\u00e7\u00e3o. O mesmo acontecer\u00e1 naqueles pa\u00edses, caso n\u00e3o se encontrem solu\u00e7\u00f5es para todos os cidad\u00e3os, principalmente, os mais vulnerados.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias de abertura e fechamento, efeito \u201csanfona\u201d, somente aumentar\u00e3o o sofrimento econ\u00f4mico, ps\u00edquico e social, cronificar\u00e1 a doen\u00e7a (Endemiza\u00e7\u00e3o da Pandemia) permitindo a conviv\u00eancia cont\u00ednua com o v\u00edrus e suas muta\u00e7\u00f5es, assim como, trar\u00e1 a falsa ideia para a popula\u00e7\u00e3o das resolu\u00e7\u00f5es dos problemas em momentos com diminui\u00e7\u00f5es das contamina\u00e7\u00f5es. Sem a imuniza\u00e7\u00e3o em massa em curto espa\u00e7o de tempo, pela falta de imunizantes, os melhores exemplos que nos restam s\u00e3o os da Nova Zel\u00e2ndia e Austr\u00e1lia, que executaram severa medidas de mitiga\u00e7\u00e3o, infelizmente \u00e9 um rem\u00e9dio amargo, o qual dever\u00e1 ter amparo do governo federal.<\/p>\n<p>Estamos em um momento muito dif\u00edcil da pandemia, principalmente nos pa\u00edses subdesenvolvidos. Os embrolhos dos desgovernos, as faltas de coordena\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas, o individualismo das na\u00e7\u00f5es ricas, tudo isso empurram a humanidade ao abismo. A solu\u00e7\u00e3o para a pandemia, como apontada no in\u00edcio desse t\u00f3pico, ter\u00e1 que ser revista, em uma sequ\u00eancia de fatos que envolvam todos, sem deixar ningu\u00e9m para traz, ou caso contr\u00e1rio, um foco de infec\u00e7\u00e3o voltar\u00e1 a multiplicar por milhares novamente.<\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de ter que conviver com a pandemia, n\u00e3o queremos, assim como se acostumar com a morte pela Covid-19. A pr\u00f3pria pandemia nos ensina o que espera dos seres humanos: humildade, coletivismo e entendimento global.<\/p>\n<p>\u201cA sua liberdade de n\u00e3o querer se cuidar, me atinge\u2026\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por \u00c2ngelo Augusto Ara\u00fajo\/jornalgrandebahia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 14\/04\/21, o Jornal Correio Braziliense noticia a dificuldade econ\u00f4micas e financeiras dos brasileiros[1], destacando que aproximadamente 125 milh\u00f5es de pessoas, possivelmente, ter\u00e3o dificuldades de alimentar-se bem. O jornal aponta que 6 em cada 10 fam\u00edlias brasileiras atingem n\u00edveis de inseguran\u00e7a alimentar. 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