{"id":15112,"date":"2021-04-27T12:27:02","date_gmt":"2021-04-27T12:27:02","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=15112"},"modified":"2021-04-27T12:27:02","modified_gmt":"2021-04-27T12:27:02","slug":"anvisa-nega-pedido-de-importacao-da-vacina-sputnik-v","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/04\/27\/anvisa-nega-pedido-de-importacao-da-vacina-sputnik-v\/","title":{"rendered":"Anvisa nega pedido de importa\u00e7\u00e3o da vacina Sputnik V"},"content":{"rendered":"<p>Diretores da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) negaram, por unanimidade, pedidos de importa\u00e7\u00e3o da vacina russa Sputnik V, contra a covid-19, em reuni\u00e3o nesta segunda-feira (26\/4).<\/p>\n<p>Os cinco votantes, respons\u00e1veis por \u00e1reas t\u00e9cnicas da Anvisa, avaliaram que o imunizante n\u00e3o conseguiu demonstrar sua seguran\u00e7a e efic\u00e1cia. A reuni\u00e3o foi conclu\u00edda por volta de 23h.<\/p>\n<p>Havia uma grande expectativa em torno da decis\u00e3o da ag\u00eancia, porque dezenas de milh\u00f5es de doses j\u00e1 foram compradas por Estados, munic\u00edpios e pelo governo federal. Autoridades brasileiras esperavam que o envio pela R\u00fassia ajudasse a aliviar a dificuldade do pa\u00eds em conseguir doses suficientes para aumentar seu ritmo de imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, de acordo com t\u00e9cnicos da Anvisa, n\u00e3o foram enviadas informa\u00e7\u00f5es cruciais para a an\u00e1lise do pedido. Al\u00e9m disso, os dados que a ag\u00eancia recebeu ou que buscou junto a empresas e autoridades sanit\u00e1rias criam s\u00e9rias d\u00favidas sobre a seguran\u00e7a, qualidade e efic\u00e1cia do imunizante, assim como uma inspe\u00e7\u00e3o realizada em f\u00e1bricas usadas para produzir a vacina na R\u00fassia.<\/p>\n<p>Gustavo Mendes, gerente-geral de medicamentos e produtos biol\u00f3gicos, ressaltou que o fato de os resultados dos estudos cl\u00ednicos que atestavam a seguran\u00e7a e efic\u00e1cia da Sputnik V terem sido publicados em uma revista cient\u00edfica de renome, a The Lancet, n\u00e3o \u00e9 uma garantia de aprova\u00e7\u00e3o por uma autoridade sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Uma avalia\u00e7\u00e3o sanit\u00e1ria \u00e9 diferente da que \u00e9 feita por uma revista cient\u00edfica. Uma revista cient\u00edfica n\u00e3o tem por objetivo recomendar ou n\u00e3o o uso de uma vacina, nem tem o compromisso de verificar boas pr\u00e1ticas cl\u00ednicas ou tem como pressuposto o acesso a todos os dados brutos e laudos&#8221;, colocou Mendes.<\/p>\n<p>&#8220;Como, por exemplo, vamos ter confian\u00e7a nos dados de efic\u00e1cia se n\u00e3o temos acesso ao diagn\u00f3stico das pessoas (que participaram do estudo) que tiveram covid?&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a Sputnik V teve seu uso emergencial ou registro definitivo aprovado em 61 pa\u00edses, de acordo com o Instituto Gamaleya, respons\u00e1vel por seu desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mas a gerente-geral de monitoramento de produtos sujeitos a vigil\u00e2ncia sanit\u00e1ria no Brasil, Suzie Marie Gomes, explicou que, entre 51 pa\u00edses consultados, apenas 14 informaram que estavam de fato usando a vacina russa.<\/p>\n<p>&#8220;A maior parte dos pa\u00edses em que houve comercializa\u00e7\u00e3o da vacina n\u00e3o possui tradi\u00e7\u00e3o em farmacovigil\u00e2ncia&#8221;, disse Gomes.<\/p>\n<p>A Anvisa est\u00e1 julgando 10 dos 14 pedidos de importa\u00e7\u00e3o feitos \u00e0 ag\u00eancia at\u00e9 agora por Estados e munic\u00edpios brasileiros. A ag\u00eancia tamb\u00e9m ter\u00e1 de apreciar um segundo pedido de uso emergencial feito pela farmac\u00eautica Uni\u00e3o Qu\u00edmica, que tem um acordo com o Gamaleya para a fabrica\u00e7\u00e3o da Sputnik V no Brasil.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC News Brasil, o presidente da empresa, Fernando Marques, criticou a ag\u00eancia, que negou o primeiro pedido por falta de informa\u00e7\u00f5es e at\u00e9 hoje cobra da Uni\u00e3o Qu\u00edmica dados que considera essenciais para analisar a segunda solicita\u00e7\u00e3o. &#8220;Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em p\u00ealo no ovo? P\u00ealo no ovo&#8221;, disse Marques.<\/p>\n<p>O relator dos pedidos de importa\u00e7\u00e3o na Anvisa, o diretor Alex Campos, seguiu a recomenda\u00e7\u00e3o dos seus gerentes e votou contra a permiss\u00e3o de importa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante das &#8220;algumas certezas e do mar de incertezas&#8221; sobre a vacina russa, disse Campos, a libera\u00e7\u00e3o da sua importa\u00e7\u00e3o poderia gerar preju\u00edzos no combate \u00e0 pandemia porque sua aplica\u00e7\u00e3o &#8220;pode gerar nas pessoas uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a, contribuindo para o aumento das taxas de infec\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O relator fez quest\u00e3o de ressaltar que a Anvisa j\u00e1 flexibilizou diversos crit\u00e9rios para a aprova\u00e7\u00e3o de vacinas, mas que abrir m\u00e3o do &#8220;m\u00ednimo poss\u00edvel&#8221; seria &#8220;anti\u00e9tico e irrespons\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos falando da vida das pessoas. Diante da incerteza e do risco, temos que invocar a precau\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Campos, ressaltando que seu voto contra a importa\u00e7\u00e3o pode mudar caso sejam apresentados novos dados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretores da Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) negaram, por unanimidade, pedidos de importa\u00e7\u00e3o da vacina russa Sputnik V, contra a covid-19, em reuni\u00e3o nesta segunda-feira (26\/4). Os cinco votantes, respons\u00e1veis por \u00e1reas t\u00e9cnicas da Anvisa, avaliaram que o imunizante n\u00e3o conseguiu demonstrar sua seguran\u00e7a e efic\u00e1cia. 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