{"id":16296,"date":"2021-06-04T14:33:20","date_gmt":"2021-06-04T14:33:20","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=16296"},"modified":"2021-06-04T14:33:20","modified_gmt":"2021-06-04T14:33:20","slug":"cientistas-esperam-ter-remedios-anticovid-ate-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/06\/04\/cientistas-esperam-ter-remedios-anticovid-ate-2022\/","title":{"rendered":"Cientistas esperam ter rem\u00e9dios anticovid at\u00e9 2022"},"content":{"rendered":"<p>Com a vacina\u00e7\u00e3o ainda longe de imunizar a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial contra a covid-19, laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos j\u00e1 testam em seres humanos medicamentos que prometem tratamento eficaz contra a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>As gigantes internacionais Pfizer, MSD e Roche s\u00e3o as mais adiantadas. Desenvolvem antivirais de uso oral. J\u00e1 a Boehringer Ingelheim investe em um tratamento com anticorpos monoclonais.<\/p>\n<p>No Brasil, dois soros, um do Instituto Butantan e outro do Instituto Vital Brazil, devem come\u00e7ar a ser testados em pacientes nos pr\u00f3ximos meses. Calcula-se que alguma dessas drogas j\u00e1 esteja dispon\u00edvel at\u00e9 o in\u00edcio de 2022.<\/p>\n<p>Os principais objetivos das novas terapias s\u00e3o reduzir as interna\u00e7\u00f5es e as mortes causadas pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Diferentemente de antibi\u00f3ticos, que em geral podem ser usados contra v\u00e1rios tipos de infec\u00e7\u00f5es bacterianas, os medicamentos contra um tipo de v\u00edrus dificilmente funcionam no combate a outros. A dificuldade de desenvolver um antiviral de amplo espectro \u00e9 que os v\u00edrus s\u00e3o muito mais diversos do que as bact\u00e9rias. Al\u00e9m disso, eles t\u00eam menos prote\u00ednas pr\u00f3prias em comum que possam ser usadas como alvo gen\u00e9rico das drogas.<\/p>\n<p>Para um rem\u00e9dio funcionar, ele precisa atingir um &#8220;alvo&#8221; &#8211; geralmente, uma prote\u00edna. Isso \u00e9 particularmente dif\u00edcil com os v\u00edrus. O motivo \u00e9 que eles se replicam dentro das c\u00e9lulas humanas. Assim, fazem os mecanismos celulares trabalharem a favor deles. Para ser eficaz, o medicamento precisa entrar nas c\u00e9lulas infectadas e atacar o v\u00edrus. Mas deve faz\u00ea-lo sem destruir seu hospedeiro.<\/p>\n<p>Alvejar o v\u00edrus antes que entre na c\u00e9lula \u00e9 outra estrat\u00e9gia poss\u00edvel. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 muito simples. O inv\u00f3lucro do v\u00edrus \u00e9 extremamente robusto. Dessa forma, protege o seu material gen\u00e9tico. Mas destruir esse inv\u00f3lucro e expor esse material pode ser t\u00f3xico ao organismo humano. Outro problema \u00e9 que enquanto as drogas demoram muito tempo para serem desenvolvidas, os v\u00edrus sofrem muta\u00e7\u00f5es muito rapidamente. Podem, portanto desenvolver resist\u00eancia aos medicamentos.<\/p>\n<p>Ainda assim, existem v\u00e1rios antivirais eficazes &#8211; contra o HIV, o v\u00edrus influenza e a hepatite C, por exemplo. O mesmo est\u00e1 sendo tentado agora contra o SARS-CoV-2.<\/p>\n<p><strong>Laborat\u00f3rios testam comprimidos anticovid<\/strong><\/p>\n<p>Tr\u00eas projetos est\u00e3o mais avan\u00e7ados, j\u00e1 em fase de testes em seres humanos. Um deles \u00e9 o da MSD em associa\u00e7\u00e3o com a empresa de biotecnologia Ridgeback Biotherapeutics. O composto se chama molnupiravir. Foi inicialmente desenvolvido contra a SARS e a MERS. Em estudo de fase 2, o medicamento foi bem tolerado em seres humanos. Foi tomado na forma de comprimido duas vezes ao dia durante cinco dias.<\/p>\n<p>A ideia \u00e9 que o medicamento atue no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o, quando os primeiros sintomas surgem. O objetivo \u00e9 impedir a replica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, para evitar o agravamento e a necessidade de interna\u00e7\u00e3o. A terceira fase dos testes j\u00e1 est\u00e1 come\u00e7ando. Envolver\u00e1 mais de mil pessoas em 18 pa\u00edses, entre eles o Brasil. A MSD espera j\u00e1 ter os primeiros resultados entre setembro e outubro.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados destes estudos fornecem evid\u00eancias convincentes para a atividade antiviral do molnupiravir&#8221;, afirmou a diretora m\u00e9dica da MSD no Brasil, M\u00e1rcia Abadi. &#8220;Um dos nossos objetivos \u00e9 reduzir as interna\u00e7\u00f5es pela doen\u00e7a &#8211; o que no Brasil \u00e9 absolutamente importante por conta do colapso hospitalar que estamos vivenciando &#8211; e tamb\u00e9m reduzir a mortalidade dos pacientes.&#8221;<\/p>\n<p>Outro projeto \u00e9 da farmac\u00eautica Roche em parceria com a Atea Pharmaceuticals. O medicamento tamb\u00e9m oral est\u00e1 sendo testado em 1.400 pessoas na Europa e no Jap\u00e3o. Os resultados tamb\u00e9m devem estar dispon\u00edveis at\u00e9 o fim deste ano, para aprova\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os reguladores. Como o da MSD, esse rem\u00e9dio deve ser tomado no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o por cinco dias.<\/p>\n<p>J\u00e1 o medicamento oral em desenvolvimento pela Pfizer foi chamado de PF-07321322. \u00c9 um inibidor de protease (esp\u00e9cie de enzima), como os usados contra o HIV. Foi desenvolvido especificamente contra o SARS-CoV2. Tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 sob testes em seres humanos. Os primeiros resultados s\u00e3o esperados at\u00e9 o fim deste m\u00eas. O objetivo deste medicamento tamb\u00e9m \u00e9 impedir que a doen\u00e7a se agrave. Deve ser administrado no in\u00edcio da infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outra vantagem desses antivirais \u00e9 que eles poderiam ser usados tamb\u00e9m na preven\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Por exemplo, por pessoas que tenham tido contato com algum infectado.<\/p>\n<p>Atualmente, o remdesivir, da Gilead, \u00e9 o \u00fanico medicamento aprovado para uso no tratamento da covid. \u00c9 ministrado por via venosa (injetado no sistema circulat\u00f3rio) e somente em pacientes internados em hospitais. S\u00e3o doentes que est\u00e3o em estado mais grave, e os resultados n\u00e3o muito animadores. Especialistas acreditam que a administra\u00e7\u00e3o precoce dos novos medicamentos pode ser essencial para impedir o avan\u00e7o da covid.<\/p>\n<p><strong>Cientistas testam anticorpos artificiais e naturais<\/strong><\/p>\n<p>A Boehringer Ingelheim tenta outra abordagem. Trata-se da produ\u00e7\u00e3o de anticorpos monoclonais (fabricados em laborat\u00f3rio, a partir de c\u00e9lulas vivas).<\/p>\n<p>&#8220;Quando pensamos em tratar uma infec\u00e7\u00e3o viral existem duas estrat\u00e9gias: agir diretamente no v\u00edrus, nas prote\u00ednas que auxiliam na replica\u00e7\u00e3o viral, ou impedir o v\u00edrus de entrar na c\u00e9lula&#8221;, explicou a diretora m\u00e9dica da Boheringer, Thais Gomes de Melo. &#8220;Neste \u00faltimo caso, usamos os anticorpos monoclonais.&#8221;<\/p>\n<p>Os cientistas identificaram no plasma de pacientes com covid anticorpos espec\u00edficos que atuam na prote\u00edna S do v\u00edrus, que produz a sua entrada na c\u00e9lula. Esses anticorpos foram replicados sinteticamente em laborat\u00f3rio para o desenvolvimento do tratamento. No caso do produto da Boheringer, a administra\u00e7\u00e3o ser\u00e1 por inala\u00e7\u00e3o. O processo garantiria concentra\u00e7\u00f5es mais altas no pulm\u00e3o do paciente. Os testes de fase 3 em seres humanos come\u00e7am em setembro em 40 pa\u00edses, inclusive no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Produ\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, o Instituto Butantan, em S\u00e3o Paulo, e o Instituto Vital Brazil, no Rio, desenvolveram soros contra o novo coronav\u00edrus que podem ser aplicados tamb\u00e9m t\u00e3o logo o paciente apresente os primeiros sintomas. Os soros s\u00e3o feitos a partir do isolamento de anticorpos desenvolvidos por pacientes contra o SARS-CoV-2 e de sua replica\u00e7\u00e3o em modelos animais &#8211; cavalos, por exemplo.<\/p>\n<p>Esses anticorpos naturais concentrados formam o soro que vai dar armas ao paciente para lutar contra a infec\u00e7\u00e3o. S\u00e3o diferentes dos anticorpos monoclonais, que s\u00e3o sint\u00e9ticos e desenvolvidos para alcan\u00e7ar um alvo espec\u00edfico do v\u00edrus. Os dois institutos se preparam para o in\u00edcio dos testes em seres humanos.<\/p>\n<p>&#8220;O que a virologia nos ensinou nos \u00faltimos quarenta anos \u00e9 que com esses v\u00edrus de alta mortalidade, os coquet\u00e9is costumam ser mais eficientes do que apenas uma droga; \u00e9 o que acontece com o HIV e com o v\u00edrus da hepatite C&#8221;, explicou o virologista Thiago Moreno, da Fiocruz, cujo laborat\u00f3rio estuda o reposicionamento de alguns antivirais usados nesses coquet\u00e9is para o tratamento da covid-19. &#8220;Acho muito dif\u00edcil que um \u00fanico medicamento seja capaz de curar a covid. Mas acho que uma ambi\u00e7\u00e3o que d\u00e1 para almejar \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o das interna\u00e7\u00f5es e da mortalidade. Acho que esse \u00e9 o grande desafio a curto prazo.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a vacina\u00e7\u00e3o ainda longe de imunizar a maioria da popula\u00e7\u00e3o mundial contra a covid-19, laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos j\u00e1 testam em seres humanos medicamentos que prometem tratamento eficaz contra a doen\u00e7a. As gigantes internacionais Pfizer, MSD e Roche s\u00e3o as mais adiantadas. Desenvolvem antivirais de uso oral. J\u00e1 a Boehringer Ingelheim investe em um tratamento com &hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-16296","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque"],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16296","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16296"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16296\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16296"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16296"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16296"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}