{"id":19418,"date":"2021-10-04T12:01:42","date_gmt":"2021-10-04T12:01:42","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=19418"},"modified":"2021-10-04T12:01:42","modified_gmt":"2021-10-04T12:01:42","slug":"combinacao-de-astrazeneca-e-pfizer-nao-garante-certificado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/10\/04\/combinacao-de-astrazeneca-e-pfizer-nao-garante-certificado\/","title":{"rendered":"Combina\u00e7\u00e3o de AstraZeneca e Pfizer n\u00e3o garante certificado"},"content":{"rendered":"<p>Pessoas que receberam imuniza\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga contra a covid-19, ou seja, doses de marcas diferentes, t\u00eam relatado dificuldade para emitir o certificado de vacina\u00e7\u00e3o no ConecteSUS, aplicativo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade usado para comprovar o esquema vacinal. Apesar de prever essa mistura de imunizantes em norma t\u00e9cnica, a pasta admite n\u00e3o fornecer o certificado para quem tomou doses de vacinas distintas. O governo n\u00e3o explica o motivo da decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de possibilitar viagens ao exterior, comprovar a vacina\u00e7\u00e3o tem se tornado rotina nas cidades brasileiras, que adotam diferentes modelos de passaporte sanit\u00e1rio. Ao menos 249 munic\u00edpios criaram regras do tipo, recorrendo tamb\u00e9m ao certificado do ConecteSUS. O documento teria de ser oferecido tamb\u00e9m para quem recebeu uma dose de AstraZeneca e outra de Pfizer, j\u00e1 que a pr\u00e1tica \u00e9 recomendada por especialistas e est\u00e1 prevista pela norma t\u00e9cnica 6 do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 isso que ocorre. Em nota, a pasta informou que o certificado do ConecteSUS \u00e9 disponibilizado para quem concluiu o esquema vacinal com duas doses ou dose \u00fanica. No entanto, completou que &#8220;para quem concluiu o esquema vacinal com doses de vacinas diferentes (intercambialidade das vacinas contra covid-19) n\u00e3o \u00e9 permitido a emiss\u00e3o do certificado de vacina\u00e7\u00e3o pelo aplicativo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Recebi a vacina heter\u00f3loga no Rio. Ambas as doses j\u00e1 est\u00e3o corretamente lan\u00e7adas no ConecteSUS, mas somente a carteira de vacina\u00e7\u00e3o \u00e9 emitida. O certificado de vacina\u00e7\u00e3o, aquele que tem tradu\u00e7\u00e3o para ingl\u00eas e espanhol, n\u00e3o aparece dispon\u00edvel&#8221;, explica a economista Katia Freitas, de 42 anos. Ela foi vacinada com a 1\u00aa dose de AstraZeneca e com a 2\u00aa da Pfizer. Essa combina\u00e7\u00e3o tem sido adotada em v\u00e1rias regi\u00f5es diante da falta de estoque de AstraZeneca.<\/p>\n<p>&#8220;Estou um pouco preocupada com isso, pois tenho uma viagem internacional marcada para os pr\u00f3ximos meses e sem o certificado em ingl\u00eas n\u00e3o sei como comprovar a vacina\u00e7\u00e3o no pa\u00eds de destino, que n\u00e3o aceita documentos em portugu\u00eas&#8221;, acrescenta Katia. Para tentar resolver, abriu um chamado no pr\u00f3prio aplicativo, mas conta que ainda n\u00e3o teve resposta.<\/p>\n<p>O caso \u00e9 similar ao da jornalista Marilia Fonseca, de 58 anos, que diz ter aberto reclama\u00e7\u00e3o na ouvidoria do SUS. Mais de dois meses ap\u00f3s ter tomado a 2\u00aa dose da Pfizer no Rio, ela ainda n\u00e3o teve o problema resolvido. &#8220;N\u00e3o consigo emitir o certificado de vacina\u00e7\u00e3o no aplicativo, nem mesmo na p\u00e1gina do ConecteSUS, simplesmente porque essa funcionalidade n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para mim. Mesmo tendo as duas doses registradas&#8221;, relata a jornalista, que neste momento est\u00e1 em Amsterd\u00e3.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 n\u00e3o tive problema por n\u00e3o portar o certificado em ingl\u00eas porque na v\u00e9spera de minha viagem, dia 29 (de setembro), a Fran\u00e7a divulgou uma funcionalidade de emiss\u00e3o de passaporte da Uni\u00e3o Europeia para quem viajar para l\u00e1&#8221;, conta Marilia. &#8220;Voc\u00ea entra no site, preenche tudo e precisa mandar em anexo seu t\u00edquete a\u00e9reo e seu comprovante de vacina\u00e7\u00e3o. Em duas horas, eu estava com o passaporte sanit\u00e1rio da Uni\u00e3o Europeia na m\u00e3o. Simples assim&#8221;, continua.<\/p>\n<p><strong>Falta de comprova\u00e7\u00e3o p\u00f5e viagem \u00e0 Europa em risco<\/strong><\/p>\n<p>Em alguns casos, os problemas est\u00e3o relacionados \u00e0 falta de registro pelos postos de sa\u00fade. Em abril de 2020, a gestora ambiental Aline Duarte, de 44 anos, estava prestes a viajar para a Fran\u00e7a para comemorar os 20 anos de casamento, quando teve que adiar os planos por causa da pandemia. A viagem, ent\u00e3o, foi reagendada para 20 de outubro deste ano. Ocorre que agora, tendo recebido a vacina\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga, Aline e o marido enfrentam um novo problema: a dificuldade de comprovar que est\u00e3o completamente vacinados.<\/p>\n<p>As segundas doses dos dois, da Pfizer, ainda n\u00e3o foram registradas no ConecteSUS, mesmo elas tendo sido aplicadas no dia 15 de setembro. Com isso, eles temem n\u00e3o conseguir viajar para a Europa, desta vez por n\u00e3o conseguirem emitir o certificado de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Como a Astrazeneca estava em falta no Rio, eu sabia da possibilidade de s\u00f3 ter a Pfizer no posto. Pesquisei bem na internet para ver se haveria restri\u00e7\u00f5es quanto a isso no exterior, mas percebi que muitos pa\u00edses europeus estavam adotando essa intercambialidade vacinal&#8221;, explica Aline. &#8220;Ent\u00e3o, n\u00e3o me preocupei, at\u00e9 porque n\u00e3o sou &#8216;sommelier&#8217; de vacina e acredito que a gente tem de tomar a que estiver dispon\u00edvel no posto&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Em nota, a Secretaria Municipal de Sa\u00fade do Rio informou que, para ajudar em caso de d\u00favidas ou diverg\u00eancias sobre o registro de vacina\u00e7\u00e3o no ConecteSUS, criou um canal para atendimento do p\u00fablico vacinado exclusivamente na cidade. &#8220;Para registrar sua solicita\u00e7\u00e3o, basta enviar o relato do problema, anexando as imagens do comprovante de vacina\u00e7\u00e3o, de um documento de identifica\u00e7\u00e3o com foto e CPF, para o e-mail suporteconectesus@rio.rj.gov.br&#8221;, explicou a SMS-Rio.<\/p>\n<p>A prefeitura do Rio acrescentou que leva, em m\u00e9dia, tr\u00eas dias \u00fateis para cadastrar os dados de vacina\u00e7\u00e3o no Sistema de Informa\u00e7\u00e3o do Programa Nacional de Imuniza\u00e7\u00f5es (SIPNI). Segundo a pasta, a migra\u00e7\u00e3o dos dados para a plataforma ConecteSUS \u00e9 feita pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade em prazo de at\u00e9 10 dias. Al\u00e9m do certificado do ConecteSUS, a prefeitura informou ainda que aceita comprovante de imuniza\u00e7\u00e3o impresso em papel timbrado para os &#8220;fins comprobat\u00f3rios de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Quem n\u00e3o recebeu vacina\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga tamb\u00e9m enfrenta problemas<\/strong><\/p>\n<p>Vacinada com duas doses de AstraZeneca, a professora Lirna Bruno, de 29 anos, conta que quando entra no ConecteSUS s\u00f3 aparece o registro da 1\u00aa dose, aplicada em junho. A de refor\u00e7o, recebida pela professora em agosto, n\u00e3o consta no sistema, impossibilitando a emiss\u00e3o do certificado de vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Sabendo disso, liguei no 136, o canal de contato do SUS. Depois de longa entrevista, abri um protocolo de verifica\u00e7\u00e3o da minha vacina, mas desde o princ\u00edpio a atendente deixou claro que iria passar a informa\u00e7\u00e3o \u00e0 prefeitura da de Fortaleza (onde mora) porque ela era a respons\u00e1vel pelo repasse das informa\u00e7\u00f5es&#8221;, explica Lirna, que conta ter ido presencialmente \u00e0 Secretaria Municipal de Sa\u00fade tentar descobrir como solucionar esse problema.<\/p>\n<p>&#8220;Ao ser atendida pelo funcion\u00e1rio da recep\u00e7\u00e3o, percebi que tinham outras pessoas reclamando do mesmo problema que o meu. E o pr\u00f3prio funcion\u00e1rio da prefeitura me falou que eu n\u00e3o era a primeira que estava ali reclamando disso&#8221;, diz a professora. Ap\u00f3s ter esgotado os canais de atendimento do SUS, ela entrou com solicita\u00e7\u00e3o na ouvidoria da prefeitura de Fortaleza, mas n\u00e3o teve o problema resolvido. &#8220;Agora n\u00e3o sei quem pode resolver, porque a prefeitura joga para o SUS e o SUS joga para a Prefeitura.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Lirna, ela s\u00f3 p\u00f4de voltar a dar aula porque o Estado verifica pelo site da prefeitura, onde as duas doses tomadas por ela constam como regularizadas. &#8220;Vai ocorrer a libera\u00e7\u00e3o dos jogos nos est\u00e1dios aqui na cidade e mesmo completamente vacinada n\u00e3o poderei ir, pois os protocolos da volta exigem o certificado do ConecteSUS&#8221;, relata, dizendo ainda ter ido no posto de sa\u00fade onde recebeu as doses, mas sem sucesso.<\/p>\n<p>O caso do jornalista Francisco Luz, de 36 anos, \u00e9 um tanto inusitado. Ele ainda n\u00e3o teve registrada no ConecteSUS a 1\u00aa dose da vacina da AstraZeneca, que recebeu em Novo Hamburgo (RS) em meados de julho. A 2\u00aa dose do mesmo imunizante, por sua vez, foi registrada logo ap\u00f3s ele ter sido vacinado, no fim de setembro, dessa vez em Porto Alegre.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sei o porqu\u00ea dessa demora, mas por ter (recebido) a 2\u00aa dose, o aplicativo j\u00e1 me permitiu emitir a carteira de vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Luz. O jornalista pretende ligar no posto de sa\u00fade na pr\u00f3xima semana para tentar resolver o problema com o registro da 1\u00aa dose. Procuradas, as prefeituras de Fortaleza e Novo Hamburgo n\u00e3o se manifestaram at\u00e9 a conclus\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por \u00cdtalo Lo Re &#8211; Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas que receberam imuniza\u00e7\u00e3o heter\u00f3loga contra a covid-19, ou seja, doses de marcas diferentes, t\u00eam relatado dificuldade para emitir o certificado de vacina\u00e7\u00e3o no ConecteSUS, aplicativo do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade usado para comprovar o esquema vacinal. 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