{"id":20882,"date":"2021-12-21T23:59:09","date_gmt":"2021-12-21T23:59:09","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=20882"},"modified":"2021-12-21T23:59:09","modified_gmt":"2021-12-21T23:59:09","slug":"vacinar-criancas-e-fundamental-para-imunidade-coletiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2021\/12\/21\/vacinar-criancas-e-fundamental-para-imunidade-coletiva\/","title":{"rendered":"Vacinar crian\u00e7as \u00e9 fundamental para imunidade coletiva"},"content":{"rendered":"<p>Sem a vacina\u00e7\u00e3o em massa das crian\u00e7as brasileiras contra a covid-19, dificilmente conseguiremos atingir os patamares m\u00ednimos de imuniza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para prote\u00e7\u00e3o coletiva da popula\u00e7\u00e3o no Brasil. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo in\u00e9dito da Fiocruz, submetido \u00e0 Revista Brasileira de Epidemiologia, e apresentado em formato preprint nesta ter\u00e7a-feira, 21. A divulga\u00e7\u00e3o ocorre em meio \u00e0 pol\u00eamica capitaneada pelo governo sobre a vacina\u00e7\u00e3o dos menores de 5 a 11 anos.<\/p>\n<p>O trabalho analisa a evolu\u00e7\u00e3o da cobertura vacinal no Pa\u00eds e revela que o ritmo do avan\u00e7o da imuniza\u00e7\u00e3o vem caindo sistematicamente desde setembro e j\u00e1 chegou, praticamente, \u00e0 estagna\u00e7\u00e3o. Caso essa tend\u00eancia se confirme, ter\u00edamos, ao final do processo, cerca de 75% da popula\u00e7\u00e3o vacinada, o que \u00e9 muito pouco para a prote\u00e7\u00e3o coletiva. O ideal seria termos, no m\u00ednimo, 85%. Para os pesquisadores, sem as crian\u00e7as, ser\u00e1 praticamente imposs\u00edvel alcan\u00e7ar esse porcentual.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, a principal forma de superar a curva de estagna\u00e7\u00e3o num patamar baixo \u00e9 ampliar as faixas et\u00e1rias eleg\u00edveis \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, com a vacina\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as dos 5 aos 11 anos. Embora o uso da vacina da Pfizer j\u00e1 esteja aprovado pela Anvisa para essa faixa et\u00e1ria, o governo vem criando obst\u00e1culos para disponibilizar o imunizante.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, frisam os especialistas, embora o porcentual de menores que apresentam casos graves de covid-19 seja pequeno em rela\u00e7\u00e3o ao de idosos, a doen\u00e7a j\u00e1 matou mais crian\u00e7as do que as vinte enfermidades abarcadas pelo calend\u00e1rio nacional de imuniza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Covid-19 j\u00e1 matou mais crian\u00e7as do que todas as doen\u00e7as evit\u00e1veis por vacina de 2006 a 2020<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, 1.148 crian\u00e7as de 0 a 9 anos morreram de covid-19 no Pa\u00eds desde o in\u00edcio da pandemia. O n\u00famero corresponde a 0,18% do total dos \u00f3bitos. Entretanto, supera o total de mortes infantis por doen\u00e7as preven\u00edveis com vacina\u00e7\u00e3o ocorridas entre 2006 e 2020 no Brasil (955).<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito menos crian\u00e7a do que idoso atingido, mas n\u00e3o \u00e9 um risco que pode ser ignorado&#8221;, afirma o pesquisador Raphael Guimar\u00e3es, pesquisador do Observat\u00f3rio Covid-19 da Fiocruz e um dos autores do estudo. &#8220;Al\u00e9m do mais, a escassez de leitos de UTI neonatal e pedi\u00e1trica \u00e9 um problema cr\u00f4nico do Brasil, bem conhecido, bem documentado.&#8221;<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia para ampliar o porcentual de pessoas protegidas \u00e9 buscar ativamente por aquelas que ainda n\u00e3o apareceram para se vacinar. O estudo revela que aproximadamente 10% da popula\u00e7\u00e3o adulta eleg\u00edvel para a vacina\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o compareceu para receber a primeira dose. Para pesquisadores, as pessoas que realmente s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o respondem por uma parte \u00ednfima disso. A maioria, acreditam, est\u00e1 tendo dificuldade de acesso \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise teve como base a cobertura vacinal por unidade da federa\u00e7\u00e3o na semana epidemiol\u00f3gica 47, a \u00faltima semana de novembro. O trabalho revela quatro fases bem distintas na evolu\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da primeira dose da vacina contra a covid no Pa\u00eds. Uma fase inicial lenta por causa da escassez de imunizantes foi seguida de duas fases de acelera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua. Agora, ocorre a desacelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A grande maioria dos estados segue essa tend\u00eancia, variando apenas a velocidade de aumento da cobertura, que foi sistematicamente maior nos estados das regi\u00f5es Sul e Sudeste&#8221;, afirma Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda uma desigualdade grande na cobertura. As regi\u00f5es Norte e Nordeste apresentam as piores, tanto de primeira quanto de segunda dose. Assim, fica claro que os valores nacionais m\u00e9dios s\u00e3o inflacionados pelos n\u00fameros do Sul e do Sudeste. De forma geral, a cobertura \u00e9 menor em \u00e1reas mais carentes e entre minorias \u00e9tnicas.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 razo\u00e1vel supor que a estagna\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais relacionada \u00e0 dificuldade de acesso do que \u00e0 recusa a receber o imunizante&#8221;, diz Guimar\u00e3es. &#8220;Portanto, \u00e9 fundamental fortalecer estrat\u00e9gias comprometidas com a redu\u00e7\u00e3o da iniquidade de vacina\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de vacinar as crian\u00e7as de 5 a 11 anos, ampliando a cobertura vacinal total do Pa\u00eds.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>por Roberta Jansen &#8211; Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem a vacina\u00e7\u00e3o em massa das crian\u00e7as brasileiras contra a covid-19, dificilmente conseguiremos atingir os patamares m\u00ednimos de imuniza\u00e7\u00e3o necess\u00e1rios para prote\u00e7\u00e3o coletiva da popula\u00e7\u00e3o no Brasil. 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