{"id":2848,"date":"2020-01-10T12:24:41","date_gmt":"2020-01-10T12:24:41","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=2848"},"modified":"2020-01-10T12:24:41","modified_gmt":"2020-01-10T12:24:41","slug":"brasil-perde-para-a-italia-em-jogo-de-reencontro-do-tetra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/01\/10\/brasil-perde-para-a-italia-em-jogo-de-reencontro-do-tetra\/","title":{"rendered":"Brasil perde para a It\u00e1lia em jogo de reencontro do tetra"},"content":{"rendered":"<p>O clima &#8220;retr\u00f4&#8221; foi a caracter\u00edstica mais marcante do evento que marcou a volta da sele\u00e7\u00e3o brasileira de masters, na noite desta quinta-feira, num jogo festivo contra a It\u00e1lia em alus\u00e3o \u00e0 final da Copa do Mundo de 1994. Em campo, o retorno da famosa dupla de ataque formada por Bebeto e Rom\u00e1rio, campe\u00e3 e consagrada naquele ano com a camisa amarela, ajudou a aplacar a saudade do p\u00fablico presente ao Est\u00e1dio Presidente Vargas, em Fortaleza, de uma era em que os grandes \u00eddolos do futebol estavam mais para &#8220;lendas&#8221; do que para &#8220;astros&#8221;.<\/p>\n<p>O evento, por sinal, chamado de Sele\u00e7\u00f5es de Lendas, escancarava essa inten\u00e7\u00e3o logo \u00e0 entrada da pra\u00e7a esportiva, localizada no bairro da Gentil\u00e2ndia. No acesso ao velho PV, como \u00e9 carinhosamente apelidado pelos cearenses, o contato com refer\u00eancias musicais dos anos 1990 transportava os torcedores, gente de todas as faixas et\u00e1rias, a uma \u00e9poca em que a maior parte dos craques brasileiros ainda usava chuteira preta, n\u00e3o tinha muito mais preocupa\u00e7\u00e3o com a diplomacia fora de campo do que com a promo\u00e7\u00e3o dos duelos e preferia produzir seu pr\u00f3prio som &#8211; geralmente um pagode &#8211; em vez de escut\u00e1-lo em fones de ouvido estilosos.<\/p>\n<p>Logo na chegada, ap\u00f3s descer do \u00f4nibus, o ex-atacante Rom\u00e1rio, estrela daquele Mundial, avisava que a hist\u00f3ria do amistoso entre veteranos teria o mesmo desfecho, mas de forma diferente: &#8220;hoje tem gol do Rom\u00e1rio, (o jogo) n\u00e3o vai at\u00e9 os p\u00eanaltis&#8221;, brincou o Baixinho, que tamb\u00e9m comentou sobre sua rela\u00e7\u00e3o com a CBF.<\/p>\n<p>O jogo, no entanto, n\u00e3o sinalizou a profecia do hoje senador. No fim, vit\u00f3ria da It\u00e1lia por 1 a 0 com gol de Massaro, no fim do segundo tempo. Mas o placar era nitidamente o que menos importava por ali enquanto boa parte da audi\u00eancia aguardava ansiosamente por ver de perto \u00eddolos que n\u00e3o raro s\u00f3 eram observados via transmiss\u00f5es em televis\u00f5es de tubo, vistos em revistas especializadas ou mesmo imaginados pelo r\u00e1dio. E tudo ao som de sucessos de Ra\u00e7a Negra, Skank, Cidade Negra e Claudinho e Buchecha, entre outros grupos que embalavam as festas de ent\u00e3o.<\/p>\n<p>Tal ansiedade estava evidente tamb\u00e9m no rosto de gente bem mais nova. Caso do garoto Enzo Gabriel Brito, de apenas 10 anos. Apaixonado por futebol e f\u00e3 de Bebeto, ele insistiu para que o pai, o vendedor Raimundo Ferreira de Brito, 51 anos, que foi contempor\u00e2neo da Copa de 1994, mas n\u00e3o demonstrava grande entusiasmo pelo evento desta quinta-feira, fosse ao est\u00e1dio. &#8220;N\u00e3o acompanho muito futebol, n\u00e3o, lembro praticamente de nada daquela Copa do Mundo. A \u00fanica coisa que lembro \u00e9 do Rom\u00e1rio. Eu nem sabia deste jogo, quem me trouxe foi meu filho, que respira futebol 24 horas por dia&#8221;, contou ele.<\/p>\n<p>J\u00e1 o fisioterapeuta Darlyson de Alencar, 26 anos, e a namorada, Bianca Pereira, estudante de 26, vestiam a camisa da sele\u00e7\u00e3o italiana e levavam uma bandeira daquele pa\u00eds. Alencar se disse torcedor da sele\u00e7\u00e3o europeia desde a semifinal da Copa de 2006, quando a equipe fez um jogo \u00e9pico contra a Alemanha e chegou \u00e0 final. A paix\u00e3o aumentou quando ele morou na It\u00e1lia na primeira metade desta d\u00e9cada e teve a oportunidade de ver um jogo da equipe &#8220;in loco&#8221;.<\/p>\n<p>Testemunha do Mundial dos Estados Unidos apenas por DVD, o fisioterapeuta disse acreditar que o fato de o est\u00e1dio cearense estar lotado (18.726 torcedores para uma renda de R$ 226.261) nesta quinta-feira se deveu ao carisma da sele\u00e7\u00e3o brasileira de 1994. &#8220;Aquele time era muito mais emblem\u00e1tico que o de 2002, por exemplo, que tamb\u00e9m foi campe\u00e3o&#8221;, opinou.<\/p>\n<p>Em campo, o esfor\u00e7o muito maior era da bola, \u00e9 claro, que corria muito mais do que os veteranos. Escalada inicialmente por Carlos Alberto Parreira com 11 jogadores que participaram daquele torneio (Taffarel; Jorginho, Aldair, M\u00e1rcio Santos e Cafu; Mauro Silva, Mazinho, Paulo S\u00e9rgio e Zinho; Bebeto e Rom\u00e1rio), dez deles na decis\u00e3o (apenas Paulo S\u00e9rgio n\u00e3o atuou), disputada em 17 de julho de 1994, a equipe s\u00f3 teve as aus\u00eancias de Dunga &#8211; n\u00e3o foi a Fortaleza devido a compromissos pessoais &#8211; e Branco &#8211; participou da festa, mas acabou n\u00e3o jogando. Aos poucos, nomes como Careca, Mauro Galv\u00e3o e Palhinha, que fizeram parte de outras sele\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m tiveram sua vez.<\/p>\n<p>Do outro lado,desfilavam, com a camisa azul, nomes como Mussi, Costacurta, Baresi, Albertini, Massaro, Berti, Evani, Casiraghi, Benarrivo, Panucci, Apolloni e Zola, comandados por Arrigo Sacchi. No fim, o velho campo que j\u00e1 recebera g\u00eanios como Pel\u00e9 e Garrincha antes da Era Castel\u00e3o encheu-se de contentamento por fazer as vezes de &#8220;Rose Bowl&#8221; cearense por um dia.<\/p>\n<p><strong>por Pery Negreiros, especial para o Estado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O clima &#8220;retr\u00f4&#8221; foi a caracter\u00edstica mais marcante do evento que marcou a volta da sele\u00e7\u00e3o brasileira de masters, na noite desta quinta-feira, num jogo festivo contra a It\u00e1lia em alus\u00e3o \u00e0 final da Copa do Mundo de 1994. 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