{"id":29880,"date":"2023-11-13T08:17:11","date_gmt":"2023-11-13T11:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/?p=29880"},"modified":"2023-11-13T08:17:11","modified_gmt":"2023-11-13T11:17:11","slug":"anamnese-uma-pratica-esquecida-revelacoes-do-distanciamento-humano-e-aproximacao-com-as-maquinas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2023\/11\/13\/anamnese-uma-pratica-esquecida-revelacoes-do-distanciamento-humano-e-aproximacao-com-as-maquinas\/","title":{"rendered":"Anamnese, uma pr\u00e1tica esquecida: Revela\u00e7\u00f5es do distanciamento humano e aproxima\u00e7\u00e3o com as m\u00e1quinas"},"content":{"rendered":"<p>A palavra Anamnese, etimologicamente, vem do grego (An\u00e1 \u2013 trazer de novo e Mnesis \u2013 mem\u00f3ria). A medicina apropriou-se da terminologia, tomou-a como parte da Simiot\u00e9cnica (1) de investiga\u00e7\u00e3o das doen\u00e7as, mas, hodiernamente, vem deixando essa pr\u00e1tica para o passado. Todavia, quando se inicia um artigo trazendo essa defini\u00e7\u00e3o semiol\u00f3gica, conclui-se que, possivelmente, ser\u00e1 a natureza de um m\u00e9dico da \u201cvelha guarda\u201d e o seu \u201csaudosismo\u201d. Por\u00e9m, o esquecimento dessa suposta \u201ct\u00e9cnica\u201d, traduzem quest\u00f5es fundamentais das rela\u00e7\u00f5es humanas, revelando as intera\u00e7\u00f5es e seus distanciamentos. Contudo, interrelacionando a anamnese como t\u00e9cnica de escuta dos problemas para qualquer \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o, essa quest\u00e3o perpassa a t\u00e9cnica m\u00e9dica de investiga\u00e7\u00e3o, refletindo as rela\u00e7\u00f5es sociais que est\u00e3o sendo pautadas na impaci\u00eancia, baixa toler\u00e2ncia e praticidade, fortalecendo as rela\u00e7\u00f5es do ser humano com a m\u00e1quina.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cotidianamente, observam-se queixas por parte dos pacientes a respeito dos poucos di\u00e1logos ocorridos nos consult\u00f3rios. Comentam que as rela\u00e7\u00f5es v\u00eam se tornando muito pr\u00e1ticas, superficiais, fundamentadas em observa\u00e7\u00f5es \u201ct\u00e9cnicas\u201d amparadas por recursos diagn\u00f3sticos, os quais nem sempre existem correla\u00e7\u00f5es com as queixas e hist\u00f3ricos dos pacientes. Muita das vezes, as pessoas ao sa\u00edrem dos consult\u00f3rios, perguntam e falam: \u201cser\u00e1 que devo fazer tais exames? o m\u00e9dico mal escutou o meu problema!\u201d Essas quest\u00f5es empurram os servi\u00e7os m\u00e9dicos a \u201cmaquinifica\u00e7\u00e3o\u201d (2), significando, nesse contexto de interrela\u00e7\u00f5es, as transforma\u00e7\u00f5es dos servi\u00e7os da medicina em trabalhos que poder\u00e3o ser executados pelas diversas intelig\u00eancias artificiais (IAs), m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os distanciamentos das rela\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o quest\u00f5es cotidianamente observadas (3,4). As transforma\u00e7\u00f5es sociais no contexto humano, nas \u00faltimas d\u00e9cadas, demonstram a intima conex\u00e3o do homem com a m\u00e1quina. De um modo geral, existem rela\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a e confiabilidade nas tecnologias, quest\u00f5es que v\u00eam sendo tratadas pela psicologia, translocando a transfer\u00eancia de identidade, humano-humano para humano-m\u00e1quina (5). Desde os primeiros anos de inf\u00e2ncia, por exemplo, os tablets e aparelhos de celulares s\u00e3o motivos de rela\u00e7\u00f5es profundas, aten\u00e7\u00e3o e divertimento. Pensa-se que o ser humano est\u00e1 se preparando, habituando-se a encontrar respostas e solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas, pr\u00e1ticas, para diversas quest\u00f5es, inclusive, as ang\u00fastias. As m\u00e1quinas respondem tudo, proporcionam divertimentos, e ainda ocupam os centros das aten\u00e7\u00f5es. Embalados pelas transforma\u00e7\u00f5es culturais e tecnol\u00f3gicas, aparecem as novas quest\u00f5es \u00e9ticas m\u00e9dicas, as quais modulam os comportamentos m\u00e9dico \/ paciente, entorno das moralidades dos distanciamentos, nas buscas por solu\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e pr\u00e1ticas, pois: \u201co tempo \u00e9 dinheiro, por que devo escutar? as evid\u00eancias tecnol\u00f3gicas estar\u00e3o a\u00ed para esclarecer tudo\u201d. N\u00e3o existe mais paci\u00eancia para escutar o problema do outro, n\u00e3o h\u00e1 mais interesse na observa\u00e7\u00e3o semiol\u00f3gica, empatia n\u00e3o ser\u00e1 necess\u00e1ria. \u201cOs sens\u00f3rios n\u00e3o precisam ser mais treinados, os exames suplementares trar\u00e3o todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias, s\u00e3o apenas quest\u00f5es relacionadas com defeitos de pe\u00e7as (\u00f3rg\u00e3os), as quais precisam ser reparadas (coisifica\u00e7\u00e3o)\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hodiernamente, observando as simiot\u00e9cnicas aplicadas, com os recursos diagn\u00f3sticos dispon\u00edveis, n\u00e3o existir\u00e3o mais espa\u00e7os para o ouvido humano e o desenvolvimento da empatia, \u201co tempo perdido para an\u00e1lise do objeto ser\u00e1 muito grande\u201d. Portanto, o escalonamento da produ\u00e7\u00e3o e o direcionamento do foco \u201cdocumental\u201d ter\u00e3o que partir para a \u00f3ptica objetivada, pr\u00e1tica, \u201cmaquinificadas\u201d, por\u00e9m, pergunta-se: fundamentados em quais bases t\u00e9cnicas de conduta e hip\u00f3teses estar\u00e3o os argumentos que n\u00e3o foram escutados, os quais revelar\u00e3o os nexos, conex\u00f5es, dos problemas a serem resolvidos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas transforma\u00e7\u00f5es sociais, sociologia do trabalho, foram observadas na revolu\u00e7\u00e3o industrial (6). Naquela \u00e9poca muitos dos trabalhos que eram realizados por seres humanos, foram transformados em trabalhos \u201cmaquinificados\u201d, ou seja, foram substitu\u00eddos as for\u00e7as de trabalho humana por m\u00e1quinas. Hodiernamente, esse processo de mudan\u00e7a cultural est\u00e1 ocorrendo de forma evidente, em uma vis\u00e3o anacr\u00f4nica que muito se assemelha. Portanto, \u00e1reas que \u201cnecessitavam\u201d da sensibilidade e observa\u00e7\u00e3o humana est\u00e3o, cada vez mais, sendo substitu\u00eddas pelo poder das m\u00e1quinas, das IAs. Destaca-se aqui, a falta dessa percep\u00e7\u00e3o e a facilita\u00e7\u00e3o para que isso ocorra. N\u00e3o \u00e9 um debate contra a tecnologia, contra os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos que proporcionam seguran\u00e7a e tratamentos mais eficazes, mas sim, sobre o controle do uso das ferramentas tecnol\u00f3gicas e o fortalecimento da sensibilidade e observa\u00e7\u00e3o humana. O que nos diferencia, ainda, da m\u00e1quina \u00e9 a nossa sensibilidade, a nossa percep\u00e7\u00e3o. A capacidade de armazenamento de informa\u00e7\u00f5es e a suas conectividades, as m\u00e1quinas t\u00eam demonstrado grandes avan\u00e7os (BIG DATA), assim como, v\u00eam ocupando diversos postos de trabalho, alhures.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conclui-se que, a pr\u00e1tica m\u00e9dica ganha destaque pela sensibilidade humana, na aten\u00e7\u00e3o; na observa\u00e7\u00e3o visual (claudica\u00e7\u00e3o, les\u00f5es corporais\u2026); na escuta das hist\u00f3rias e ausculta (as bulhas card\u00edacas, creptos pulmonares, tr\u00e2nsito intestinal\u2026); no toque, do simples aperto de m\u00e3o a palpa\u00e7\u00e3o (abdome, partes do corpo\u2026); no olfato (nefropatias, gangrenas\u2026); numa mistura de sentidos e intui\u00e7\u00f5es que transformam a medicina em arte, Arte M\u00e9dica de diagnosticar e curar os diversos problemas. As transforma\u00e7\u00f5es culturais evidenciadas nesse texto, aproxima o m\u00e9dico da m\u00e1quina e distancia-o do ser humano, modificando as rela\u00e7\u00f5es humanas em dire\u00e7\u00e3o a uma ordem pr\u00e1tica, amorfa (7), composta por muitos erros. Portanto, ser\u00e1 mais f\u00e1cil substituir o profissional por IAs, que, dentro de uma \u00f3ptica fria, desconexa da sensibilidade, poder\u00e1 considerar as queixas dos pacientes, pois, as informa\u00e7\u00f5es adentradas, todas ser\u00e3o processadas e juntadas a uma grande cadeia de dados, as quais possibilitar\u00e3o menos erros de conduta e diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>por \u00c2ngelo Augusto Ara\u00fajo, MD, MBA, PhD (angeloaugusto@me.com)\/jornalgrandebahia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra Anamnese, etimologicamente, vem do grego (An\u00e1 \u2013 trazer de novo e Mnesis \u2013 mem\u00f3ria). 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