{"id":33156,"date":"2024-11-17T13:25:13","date_gmt":"2024-11-17T16:25:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/?p=33156"},"modified":"2024-11-17T13:25:13","modified_gmt":"2024-11-17T16:25:13","slug":"desmatamento-cai-55-na-mata-atlantica-no-primeiro-semestre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2024\/11\/17\/desmatamento-cai-55-na-mata-atlantica-no-primeiro-semestre\/","title":{"rendered":"Desmatamento cai 55% na Mata Atl\u00e2ntica no primeiro semestre"},"content":{"rendered":"<p>Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atl\u00e2ntica indicam redu\u00e7\u00e3o de 55% no desmatamento do bioma no primeiro semestre de 2024 em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. De janeiro a junho, foram desmatados 21.401 hectares, ante 47.896 em 2023, segundo levantamento divulgado pela Funda\u00e7\u00e3o SOS Mata Atl\u00e2ntica, em parceria com o MapBiomas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da redu\u00e7\u00e3o, a SOS Mata Atl\u00e2ntica avalia que o impacto do desmatamento permanece alarmante e inaceit\u00e1vel, especialmente neste bioma que \u00e9 t\u00e3o devastado e amea\u00e7ado. A \u00e1rea destru\u00edda nos seis primeiros meses do ano equivale a cerca de 20 mil campos de futebol. Segundo a funda\u00e7\u00e3o, embora vi\u00e1vel, a meta de zerar o desmatamento no bioma ainda \u00e9 um desafio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A queda no desmatamento decorre, em grande parte, do fortalecimento da fiscaliza\u00e7\u00e3o, do corte de cr\u00e9dito para desmatadores ilegais e do uso de embargos remotos, que s\u00e3o restri\u00e7\u00f5es aplicadas a \u00e1reas desmatadas detectadas por monitoramento a dist\u00e2ncia, impedindo seu uso comercial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA redu\u00e7\u00e3o do desmatamento \u00e9 resultado do fortalecimento e da aplica\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas p\u00fablicas ambientais brasileiras, principalmente a volta da fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e o fortalecimento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e do Ibama\u201d, diz o diretor executivo da SOS Mata Atl\u00e2ntica, Lu\u00eds Fernando Guedes Pinto. O engenheiro agr\u00f4nomo afirmou que os dados atuais representam um al\u00edvio tempor\u00e1rio, mas ressaltou a necessidade cont\u00ednua de vigil\u00e2ncia e a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nas \u00e1reas de encraves \u2013 fragmentos de vegeta\u00e7\u00e3o nativa da Mata Atl\u00e2ntica localizados em limites com outros biomas como Cerrado, Caatinga e Pantanal, onde o desmatamento chamou a aten\u00e7\u00e3o ao longo do ano passado \u2013, a redu\u00e7\u00e3o chegou a 58%. Para Guedes Pinto, esta \u00e9 uma \u00f3tima not\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cNo ano passado, houve uma queda na regi\u00e3o cont\u00ednua de Mata Atl\u00e2ntica e aumento nos encraves, e este ano teve diminui\u00e7\u00e3o nessas duas regi\u00f5es. Isso se deve tamb\u00e9m ao plano de combate ao desmatamento no Cerrado, a a\u00e7\u00f5es na Caatinga, a toda uma estrat\u00e9gia nacional de combate ao desmatamento\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desmatamento zero<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o MapBiomas, restam 24% da cobertura florestal original da Mata Atl\u00e2ntica. A propor\u00e7\u00e3o est\u00e1 abaixo do limite m\u00ednimo aceit\u00e1vel para conserva\u00e7\u00e3o da cobertura, que \u00e9, segundo estudo publicado na revista Science, de 30%. Al\u00e9m disso, as florestas naturais est\u00e3o restritas a espa\u00e7os extremamente fragmentados \u2013 a maior parte n\u00e3o chega a 50 hectares \u2013 e, em 80% dos casos, est\u00e3o em propriedades privadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guedes Pinto lembra que, para o Brasil cumprir os compromissos firmados no Acordo de Paris, deve alcan\u00e7ar o desmatamento zero em todos os biomas at\u00e9 2030. Para o engenheiro agr\u00f4nomo, a Mata Atl\u00e2ntica tem o potencial de ser o primeiro bioma brasileiro a alcan\u00e7ar essa meta. \u201cIsso porque \u00e9 onde o desmatamento \u00e9 relativamente menor e \u00e9 uma regi\u00e3o com bastante governan\u00e7a\u201d, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele observa que a impunidade diante dos crimes ambientais ainda \u00e9 um enorme obst\u00e1culo para que tais metas sejam atingidas. \u201cO caminho poss\u00edvel \u00e9 continuar a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a aplica\u00e7\u00e3o dos mecanismos de comando e controle, que s\u00e3o as puni\u00e7\u00f5es para a ilegalidade.\u201d Guedes Pinto destaca que \u00e9 preciso afirmar a lei da Mata Atl\u00e2ntica politicamente, para \u00f3rg\u00e3os federais, estaduais e municipais. \u201cA \u00faltima coisa s\u00e3o os incentivos econ\u00f4micos para manter a floresta de p\u00e9 e para a restaura\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o engenheiro, que cita pol\u00edticas p\u00fablicas, como pagamento por servi\u00e7os ambientais, al\u00e9m de instrumentos de mercado, como o mercado de carbono.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Queimadas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs respostas das autoridades t\u00eam sido insuficientes, como vimos com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s queimadas criminosas que este ano atingiram n\u00edveis assustadores\u201d, ressalta a diretora de Pol\u00edticas P\u00fablicas da SOS Mata Atl\u00e2ntica, Malu Ribeiro. Para Malu, a falta de justi\u00e7a quase uma d\u00e9cada depois do dano ambiental decorrente do rompimento da barragem de min\u00e9rio em Mariana, Minas Gerais, \u00e9 exemplo dessa neglig\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guedes Pinto aponta ainda o enorme impacto dos inc\u00eandios a Mata Atl\u00e2ntica. Segundo ele, a \u00e1rea de florestas queimadas foi maior do que a \u00e1rea desmatada no ano passado. \u201cA queimada n\u00e3o resulta no desmatamento, mas leva \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o da floresta. Queimadas sucessivas podem acabar levando os pequenos fragmentos a desaparecer\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As queimadas t\u00eam grande impacto sobre a biodiversidade, na emiss\u00e3o de g\u00e1s de efeito estufa, al\u00e9m de degradar a floresta. \u201cEla pode entrar em uma rota inclusive de morte. Por isso, \u00e9 preciso proteger as \u00e1reas que foram impactadas pelas queimadas, observar como v\u00e3o reagir para se recuperar. O impacto [imediato] \u00e9 menor que o do desmatamento, mas, no m\u00e9dio e longo prazos, pode ser at\u00e9 parecido.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: TNH1<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dados do Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD) Mata Atl\u00e2ntica indicam redu\u00e7\u00e3o de 55% no desmatamento do bioma no primeiro semestre de 2024 em compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano anterior. 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