{"id":5860,"date":"2020-04-29T02:46:25","date_gmt":"2020-04-29T02:46:25","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=5860"},"modified":"2020-04-29T02:46:25","modified_gmt":"2020-04-29T02:46:25","slug":"bolsonaro-tenta-criar-base-anti-impeachment","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/04\/29\/bolsonaro-tenta-criar-base-anti-impeachment\/","title":{"rendered":"Bolsonaro tenta criar base anti-impeachment"},"content":{"rendered":"<p>A estrat\u00e9gia do presidente Jair Bolsonaro de se aproximar de l\u00edderes do Centr\u00e3o pode levar ao Pal\u00e1cio do Planalto o apoio de um grupo decisivo para seu futuro no cargo. Para barrar um eventual processo de impeachment, Bolsonaro necessitaria reunir 172 votos que rejeitem as acusa\u00e7\u00f5es crime de responsabilidade contra si. E se ainda n\u00e3o h\u00e1 certeza sobre os n\u00fameros atuais da base aliada no Congresso, tampouco avalia-se que o presidente estaria longe de atingir essa quantidade de apoios.<\/p>\n<p>Um cacique partid\u00e1rio que esteve recentemente com Bolsonaro considera que ele conquistou, com mudan\u00e7a de tratamento e oferta de cargos de segundo e terceiro escal\u00e3o, os partidos de bancadas m\u00e9dias no Centr\u00e3o. Com isso, rachou o bloco que dava sustenta\u00e7\u00e3o ao atual presidente da C\u00e2mara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de quem Bolsonaro desconfia e a quem passou a atacar como principal advers\u00e1rio no Congresso.<\/p>\n<p>Atualmente, o governo negocia cargos na administra\u00e7\u00e3o federal com lideran\u00e7as do Progressistas (legenda com 40 deputados), PL (39), PSD (37), Solidariedade (14), PTB (12) e Republicanos (31). O \u00faltimo partido abriga filhos do presidente. Seriam 173, sem contar eventuais defec\u00e7\u00f5es, um a mais do m\u00ednimo que precisa. Teria ainda pelo menos metade dos votos no PSL (53), ala de seu antigo partido que poder\u00e1 migrar com a cria\u00e7\u00e3o do Alian\u00e7a pelo Brasil, e uma parcela significativa de apoios no PSD (37) e no MDB (34). Contaria ainda com apoio relevante na bancada da b\u00edblia, nas frentes evang\u00e9lica e cat\u00f3lica, e apoios individuais em Podemos (12), Patriota (5), PSC (9), entre outros partidos nanicos.<\/p>\n<p>Como mostrou o Estado, o presidente \u00e9 alvo de 31 pedidos de impeachment na C\u00e2mara, n\u00famero superior a de antecessores e que cresceu ap\u00f3s o ex-ministro da Justi\u00e7a S\u00e9rgio Moro acus\u00e1-lo de interfer\u00eancia pol\u00edtica na Pol\u00edcia Federal. Em outra frente, parlamentares tamb\u00e9m tentam colocar de p\u00e9 uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito (CPI) para apurar as den\u00fancias.<\/p>\n<p>Para o presidente tocar o barco e governar, no entanto, a conta \u00e9 outra. Ele dependeria de pelo menos 308 votos para aprovar uma Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Centr\u00e3o comanda a Mesa Diretora da C\u00e2mara desde 2015, com a elei\u00e7\u00e3o para a presid\u00eancia do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ), preso e condenado por Moro em processo da Lava Jato. Embora a sa\u00edda do &#8220;superministro&#8221; tenha desgastado o presidente junto ao seu eleitorado, lideran\u00e7as do grupo &#8211; ao qual ele pr\u00f3prio fez parte no passado &#8211; comemoraram a demiss\u00e3o. O ex-juiz criminal e seu bra\u00e7o direito na PF, Maur\u00edcio Valeixo, simbolizavam uma heran\u00e7a da Lava Jato, uma opera\u00e7\u00e3o que atingiu dezenas de parlamentares e partidos do bloco informal.<\/p>\n<p>Como o presidente se elegeu recha\u00e7ando a &#8220;velha pol\u00edtica&#8221; e alijou os caciques da articula\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, Maia seguia como interlocutor oficial do grupo junto ao Planalto. E mantinha seu poder. Isolado, com popularidade em queda, agravamento da pandemia (quase 4 mil mortes por covid-19) e crise econ\u00f4mica, Bolsonaro resolveu mudar.<\/p>\n<p>Agora, Maia &#8220;perdeu cedo o Centr\u00e3o para Bolsonaro&#8221;, resume um dos l\u00edderes do grupo. Deputados que estiveram com o presidente consideram que Maia agiu nos bastidores para denunciar um &#8220;toma l\u00e1 da c\u00e1&#8221;. Apesar de imoral, a pr\u00e1tica \u00e9 corriqueira no presidencialismo e nunca foi condenado como criminosa. E o DEM de Maia n\u00e3o s\u00f3 indicou nomes ao governo como trabalhou para manter seus apadrinhados depois de amea\u00e7as de retalia\u00e7\u00e3o pelo Planalto. Com isso, Maia teria jogado os partidos fisiol\u00f3gicos no colo de Bolsonaro. Como consequ\u00eancia, o presidente e o Centr\u00e3o estariam adorando viver um &#8220;amor sem intermedi\u00e1rios&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00favidas ainda sobre qual seria o comportamento dos partidos de esquerda, principalmente do PT (53), em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s den\u00fancias de Moro. A oposi\u00e7\u00e3o quer remover Bolsonaro, mas sem beneficiar Moro. Ele \u00e9 algoz do ex-presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, a quem prendeu e condenou por corrup\u00e7\u00e3o passiva e lavagem de dinheiro. Agora, poderia sair eleitoralmente fortalecido se prosperasse um impedimento com base em suas den\u00fancias.<\/p>\n<p>Pandemia<\/p>\n<p>N\u00e3o bastassem essas vari\u00e1veis &#8211; os votos pr\u00f3-Bolsonaro no Centr\u00e3o e a m\u00e1 vontade da oposi\u00e7\u00e3o com Moro &#8211; ainda h\u00e1 as dificuldades impostas pela pandemia do novo coronav\u00edrus. Com o isolamento social, o impeachment dependeria de uma convoca\u00e7\u00e3o para reuni\u00e3o presencial por parte de Maia e Alcolumbre.<\/p>\n<p>Apesar da grande quantidade de pedidos, Maia disse que o momento n\u00e3o \u00e9 de por esse tema na pauta. O Estado apurou que Maia n\u00e3o quer tratar do assunto enquanto n\u00e3o houver um sinal mais claro do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as acusa\u00e7\u00f5es de interfer\u00eancia pol\u00edtica de Bolsonaro na PF, como fez Moro. Na pr\u00e1tica, a ideia \u00e9 ganhar tempo. &#8220;Acho que todos esses processos precisam ser pensados com muito cuidado&#8221;, disse Maia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de demorado, um processo completo requer o funcionamento de comiss\u00f5es especiais para analisar as den\u00fancias na C\u00e2mara e no Senado, antes das vota\u00e7\u00f5es plen\u00e1rias. Na pr\u00e1tica, as longas discuss\u00f5es e oitivas de testemunhos seriam invi\u00e1veis, na avalia\u00e7\u00e3o de parlamentares, por meio do sistema virtual de vota\u00e7\u00f5es remotas. A tecnologia foi desenvolvida apenas para o plen\u00e1rio, e nenhuma comiss\u00e3o funciona atualmente no Congresso.<\/p>\n<p>O senador Oriovisto Guimar\u00e3es (Podemos-PR), partid\u00e1rio de Moro e hoje cr\u00edtico de Bolsonaro, considera invi\u00e1veis vota\u00e7\u00f5es remotas de um assunto dessa magnitude, pois poderiam ser questionadas legalmente, para al\u00e9m das dificuldades operacionais. Ele avalia ser &#8220;muito dif\u00edcil&#8221; haver alguma repercuss\u00e3o no Congresso, sem um movimento que parta dos chefes do Poder Legislativo.<\/p>\n<p>&#8220;Na realidade, o Congresso est\u00e1 em recesso. As reuni\u00f5es virtuais s\u00f3 ocorrem quando convocadas. E, quando tem alguma efervesc\u00eancia, a primeira coisa que o Davi faz \u00e9 n\u00e3o convocar. A\u00ed o Congresso permanece mudo, e o que ocorrem s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es isoladas, mas n\u00e3o decis\u00e3o coletiva. Mais do que nunca a palavra do Senado est\u00e1 na m\u00e3o do Davi e a palavra da C\u00e2mara na do Maia. Tudo est\u00e1 na m\u00e3o deles&#8221;, disse o senador.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estrat\u00e9gia do presidente Jair Bolsonaro de se aproximar de l\u00edderes do Centr\u00e3o pode levar ao Pal\u00e1cio do Planalto o apoio de um grupo decisivo para seu futuro no cargo. Para barrar um eventual processo de impeachment, Bolsonaro necessitaria reunir 172 votos que rejeitem as acusa\u00e7\u00f5es crime de responsabilidade contra si. 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