{"id":6246,"date":"2020-05-10T19:59:51","date_gmt":"2020-05-10T19:59:51","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=6246"},"modified":"2020-05-10T19:59:51","modified_gmt":"2020-05-10T19:59:51","slug":"corrida-por-vacina-tem-100-candidatas-8-mais-adiantadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/05\/10\/corrida-por-vacina-tem-100-candidatas-8-mais-adiantadas\/","title":{"rendered":"Corrida por vacina tem 100 candidatas; 8 mais adiantadas"},"content":{"rendered":"<p>Com cerca de 4 milh\u00f5es de casos confirmados de infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus no mundo e mais de 276 mil mortos, a corrida para o desenvolvimento de uma vacina tem se intensificado. J\u00e1 s\u00e3o mais de 100 candidatas sendo testadas em v\u00e1rios pa\u00edses, de acordo com o \u00faltimo balan\u00e7o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), divulgado na ter\u00e7a. E oito delas entraram na etapa de ensaios cl\u00ednicos &#8211; que envolvem humanos.<\/p>\n<p>Tradicionalmente, vacinas levam em m\u00e9dia dez anos para serem produzidas &#8211; a mais r\u00e1pida foi a da caxumba, que demandou quatro anos (e isso foi nos anos 1960). Mas o desenvolvimento de novas tecnologias acelerou o processo, e a expectativa atual \u00e9 que se tenha um produto no ano que vem. Na semana passada, o otimismo cresceu com o an\u00fancio de resultados de uma vacina em desenvolvimento na Universidade de Oxford. Ela \u00e9 uma das que est\u00e1 em teste cl\u00ednico e se estimou que pode estar pronta at\u00e9 o fim deste ano.<\/p>\n<p>Os cientistas do Instituto Jenner, em Oxford, est\u00e3o alguns passos \u00e0 frente na corrida por usarem como ponto de partida uma pesquisa anterior de vacina para outro coronav\u00edrus, o causador da Mers, doen\u00e7a respirat\u00f3ria da mesma fam\u00edlia da covid-19 que atingiu especialmente o Oriente M\u00e9dio a partir de 2012.<\/p>\n<p>Logo que o Sars-CoV-2 surgiu na China, no fim do ano passado, os pesquisadores de Oxford aproveitaram a plataforma que eles tinham criado para a Mers para test\u00e1-la em macacos rhesus e os resultados foram muito promissores. Com uma dose da vacina, conseguiram imunizar 18 animais. O resultado foi publicado no dia 1.\u00ba na Science Advances.<\/p>\n<p>Para fazer esta vacina, usou-se como vetor um adenov\u00edrus (que causa resfriado comum) inativo, no qual se introduziu uma prote\u00edna do Mers-CoV, capaz de fazer o corpo produzir anticorpos contra o v\u00edrus. Agora, cientistas usaram a mesma plataforma, mas com uma prote\u00edna do Sars-CoV-2. Como eles j\u00e1 haviam provado anteriormente que ela era segura para humanos (a primeira etapa dos ensaios cl\u00ednicos &#8211; veja quadro ao lado), foi poss\u00edvel saltar para a segunda etapa, de efic\u00e1cia. Eles juntaram as duas fases em uma s\u00f3 e, agora, preveem come\u00e7ar testes em 6 mil pessoas at\u00e9 o fim do m\u00eas.<\/p>\n<p>\u00c9 como se o v\u00edrus &#8220;imitasse&#8221; o outro para induzir o sistema imune a reagir ao v\u00edrus verdadeiro quando h\u00e1 contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Estrat\u00e9gias<\/strong><\/p>\n<p>Vacinas cl\u00e1ssicas usam uma vers\u00e3o atenuada do v\u00edrus que se quer combater para desencadear a resposta imunol\u00f3gica. Mas, na corrida para combater a covid-19, novas tecnologias est\u00e3o em teste na expectativa de serem mais seguras e eficazes contra a pandemia.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias \u00e9 usar o RNA mensageiro (RNAm) do v\u00edrus, a mol\u00e9cula que &#8220;l\u00ea&#8221; as informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e comanda a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas. Aqui vale a mesma premissa anterior &#8211; de que possa induzir o sistema imunol\u00f3gico a agir quando o pr\u00f3prio v\u00edrus resolver atacar. Duas das oito vacinas em fase cl\u00ednica &#8211; da Moderna e da Pfizer &#8211; usam esse modelo.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio manipular diretamente o v\u00edrus &#8211; o que demanda o uso de laborat\u00f3rios de alta seguran\u00e7a -, o trabalho fica mais r\u00e1pido e f\u00e1cil. O por\u00e9m \u00e9 que ainda n\u00e3o existe nenhuma vacina j\u00e1 em uso no mundo com essa formula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Algumas estrat\u00e9gias que j\u00e1 est\u00e3o na etapa cl\u00ednica, por\u00e9m, ainda se baseiam em vers\u00f5es inativas do v\u00edrus (mais seguras que as atenuadas). \u00c9 o caso da proposta da chinesa Sinovac, que tamb\u00e9m se mostrou efetiva em rhesus. Foram testadas duas doses. Animais vacinados com a mais alta, que tiveram o Sars-Cov-2 introduzido em seus pulm\u00f5es, tiveram a melhor resposta e n\u00e3o desenvolveram a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;As primeiras vacinas que ficar\u00e3o prontas n\u00e3o necessariamente ser\u00e3o as melhores. Ser\u00e3o s\u00f3 as primeiras. Pode ser que elas s\u00f3 consigam conferir 30% de prote\u00e7\u00e3o. O que j\u00e1 ajuda a aumentar um pouco de imunidade e diminuir a circula\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a&#8221;, afirma a bi\u00f3loga Nat\u00e1lia Pasternak, do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da USP, que pretende entrar na corrida. &#8220;Mas ainda ser\u00e1 necess\u00e1rio continuar pesquisando para chegar a melhor vacina poss\u00edvel, porque essa \u00e9 uma doen\u00e7a que veio para ficar&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante testar v\u00e1rias estrat\u00e9gias porque ainda n\u00e3o sabemos quais v\u00e3o funcionar e n\u00e3o podemos apostar as fichas em uma s\u00f3&#8221;, complementa o imunologista Ricardo Gazzinelli, que coordena uma linha de pesquisa no Brasil &#8211; parceria da Fiocruz com UFMG e Butant\u00e3 -, que tenta fazer uma vacina contra o Sars-CoV-2 usando como vetor um influenza atenuado. &#8220;A vantagem \u00e9 que esse \u00e9 o v\u00edrus hoje usado nas vacinas contra o H1N1. J\u00e1 foi testado em milh\u00f5es de pessoas, ent\u00e3o temos confian\u00e7a de que \u00e9 seguro&#8221;, diz. &#8220;E temos f\u00e1bricas j\u00e1 no Brasil que fabricam a vacina contra a influenza em grande quantidade. Poderiam fazer isso para o coronav\u00edrus se essa estrat\u00e9gia der certo&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o em todo o mundo. Mesmo antes de ter uma vacina pronta, empresas e governos j\u00e1 se antecipam para ter formas de produzir bilh\u00f5es de doses para atender a popula\u00e7\u00e3o. A Moderna, por exemplo, j\u00e1 fez uma parceria com a Johnson &amp; Johnson, e a farmac\u00eautica AstraZeneca est\u00e1 trabalhando com os pesquisadores de Oxford.<\/p>\n<p><strong>Exposi\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios ainda envolve debate \u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>Um dos desafios do desenvolvimento de vacinas \u00e9 que, quando um produto enfim chega aos ensaios cl\u00ednicos, \u00e9 preciso contar com o tempo. Em geral, para saber se a vacina \u00e9 efetiva, \u00e9 preciso esperar que os volunt\u00e1rios entrem em contato com o v\u00edrus naturalmente, o que leva tempo.<\/p>\n<p>Com a emerg\u00eancia da covid-19, pesquisadores t\u00eam discutido se essa regra deveria mudar para permitir que os volunt\u00e1rios fossem deliberadamente expostos ao v\u00edrus ap\u00f3s tomarem a vacina, o que aceleraria o processo, apesar de colocar as pessoas em risco. O chamado teste de desafio humano foi tema de um artigo na semana passada na Science, que traz sugest\u00f5es para torn\u00e1-lo eticamente aceit\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com cerca de 4 milh\u00f5es de casos confirmados de infec\u00e7\u00e3o pelo novo coronav\u00edrus no mundo e mais de 276 mil mortos, a corrida para o desenvolvimento de uma vacina tem se intensificado. 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