{"id":6292,"date":"2020-05-12T03:16:16","date_gmt":"2020-05-12T03:16:16","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=6292"},"modified":"2020-05-12T03:16:16","modified_gmt":"2020-05-12T03:16:16","slug":"coronavirus-chegou-ao-brasil-antes-do-carnaval-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/05\/12\/coronavirus-chegou-ao-brasil-antes-do-carnaval-diz-estudo\/","title":{"rendered":"Coronav\u00edrus chegou ao Brasil antes do carnaval, diz estudo"},"content":{"rendered":"<p>O novo coronav\u00edrus j\u00e1 estava circulando havia pelo menos 20 dias no Brasil quando multid\u00f5es tomaram as ruas de grandes cidades para celebrar o carnaval, revela um estudo divulgado nesta segunda-feira, 11, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz).<\/p>\n<p>O trabalho mostra que o Sars-CoV-2 come\u00e7ou a se espalhar no Pa\u00eds ainda na primeira semana de fevereiro, ou seja, mais de 20 dias antes de o primeiro caso ser diagnosticado oficialmente em um viajante que retornou da It\u00e1lia para S\u00e3o Paulo. O caso foi detectado em 26 de fevereiro, quarta-feira de Cinzas, quase 40 dias antes das primeiras confirma\u00e7\u00f5es oficiais de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria, em 13 de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>O trabalho mostra que, quando os primeiros blocos foram para as ruas, j\u00e1 havia transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria da doen\u00e7a, que, provavelmente, foi muito acelerada pelas aglomera\u00e7\u00f5es. Os primeiros casos seriam do fim de janeiro.<\/p>\n<p>O estudo foi feito com uma metodologia estat\u00edstica de infer\u00eancia, a partir dos registros de \u00f3bitos, e publicado na revista &#8220;Mem\u00f3rias do Instituto Oswaldo Cruz&#8221; de forma pr\u00e9via, ainda sem revis\u00e3o de pares. O trabalho tamb\u00e9m revelou que o v\u00edrus come\u00e7ou a circular muito antes do registrado oficialmente na Europa e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Os autores destacam que, em todos os pa\u00edses analisados, a circula\u00e7\u00e3o da Covid-19 come\u00e7ou muito antes que fossem implementadas medidas de controle, como restri\u00e7\u00e3o de viagens a\u00e9reas e distanciamento social.<\/p>\n<p>&#8220;Esse per\u00edodo bastante longo de transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria oculta chama a aten\u00e7\u00e3o para o grande desafio de rastrear a dissemina\u00e7\u00e3o do novo coronav\u00edrus e indica que as medidas de controle devem ser adotadas, pelo menos, assim que os primeiros casos importados forem detectados em uma nova regi\u00e3o geogr\u00e1fica&#8221;, afirma Gonzalo Bello, pesquisador do Laborat\u00f3rio de Aids e Imunologia Molecular do IOC\/Fiocruz, coordenador da pesquisa.<\/p>\n<p>Na Europa, a circula\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a come\u00e7ou aproximadamente em meados de janeiro na It\u00e1lia e entre fim de janeiro e in\u00edcio de fevereiro, na B\u00e9lgica, Fran\u00e7a, Alemanha, Holanda, Espanha e Reino Unido. O come\u00e7o de fevereiro tamb\u00e9m foi o per\u00edodo de in\u00edcio da dissemina\u00e7\u00e3o na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, de acordo com o estudo.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 a primeira a apontar o per\u00edodo de in\u00edcio da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria no Brasil e refor\u00e7a evid\u00eancias preliminares de pesquisas conduzidas na Europa a partir de an\u00e1lises gen\u00e9ticas. Corrobora ainda achados de estudos realizados nos Estados Unidos, que indicaram come\u00e7o da propaga\u00e7\u00e3o viral na cidade de Nova York entre 29 de janeiro e 26 de fevereiro.<\/p>\n<p>Apesar de v\u00e1rios pa\u00edses terem o in\u00edcio da transmiss\u00e3o comunit\u00e1ria em momentos muito pr\u00f3ximos, a expans\u00e3o da epidemia em cada localidade parece ter seguido uma din\u00e2mica pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>&#8220;Muito provavelmente, a din\u00e2mica de expans\u00e3o da epidemia foi definida por fatores locais, como caracter\u00edsticas ambientais de temperatura, precipita\u00e7\u00e3o e polui\u00e7\u00e3o do ar, densidade e demografia da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, acrescenta o pesquisador do Instituto Gon\u00e7alo Moniz (Fiocruz-Bahia), Tiago Graf.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de ajudar a esclarecer o in\u00edcio de transmiss\u00e3o local do Sars-CoV-2 nos pa\u00edses estudados, os autores destacam que os resultados obtidos refor\u00e7am a import\u00e2ncia da implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es permanentes de vigil\u00e2ncia molecular, uma vez que o novo coronav\u00edrus pode voltar a circular e causar surtos ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;A intensa vigil\u00e2ncia virol\u00f3gica \u00e9 essencial para detectar precocemente a poss\u00edvel reemerg\u00eancia do v\u00edrus, informando os sistemas de rastreamento de contatos e fornecendo evid\u00eancias para realizar as medidas de controle apropriadas&#8221;, completa Gonzalo.<\/p>\n<p>Por isso, para estimar o per\u00edodo de in\u00edcio da transmiss\u00e3o viral comunit\u00e1ria do novo coronav\u00edrus, os pesquisadores desenvolveram um novo m\u00e9todo. Os cientistas partiram de um dos tra\u00e7os mais tr\u00e1gicos e marcantes da Covid-19: o crescimento exponencial do n\u00famero de mortes nas primeiras semanas de surto.<\/p>\n<p>J\u00e1 que a car\u00eancia de testes de diagn\u00f3stico e o grande porcentual de infec\u00e7\u00f5es assintom\u00e1ticas dificultam a contagem de casos da doen\u00e7a, os registros de \u00f3bito s\u00e3o considerados a informa\u00e7\u00e3o mais confi\u00e1vel sobre o progresso da epidemia. Podem ser usados como um rastreador &#8220;atrasado&#8221;, que permite observar o curso da doen\u00e7a de forma retrospectiva.<\/p>\n<p>Considerando que o tempo m\u00e9dio entre a infec\u00e7\u00e3o e o \u00f3bito por Covid-19 \u00e9 de cerca de tr\u00eas semanas e a taxa de mortalidade da doen\u00e7a \u00e9 de aproximadamente 1%, os cientistas aplicaram um m\u00e9todo estat\u00edstico para inferir o momento de in\u00edcio da epidemia a partir do n\u00famero acumulado de mortes nas primeiras semanas de surto em cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Observando os dois pa\u00edses onde j\u00e1 existe grande n\u00famero de genomas sequenciados &#8211; China e Estados Unidos -, constatamos que a estimativa obtida a partir do n\u00famero de mortes foi semelhante \u00e0 obtida a partir da an\u00e1lise gen\u00e9tica, validando a nova abordagem&#8221;, afirma a pesquisadora da Udelar Daiana Mir.<\/p>\n<p>No Brasil, outras evid\u00eancias, obtidas a partir de metodologias diferentes, apoiam a estimativa de que a transmiss\u00e3o local da Covid-19 come\u00e7ou no in\u00edcio de fevereiro, coincidindo com a expans\u00e3o da epidemia na Am\u00e9rica do Norte e Europa. De acordo com o InfoGripe, sistema da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) que monitora as hospitaliza\u00e7\u00f5es de pacientes com sintomas respirat\u00f3rios agudos graves (SRAG), o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es encontra-se acima do observado em 2019 desde meados de fevereiro de 2020.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, an\u00e1lises moleculares retrospectivas de amostras de SRAG detectaram um caso de infec\u00e7\u00e3o por Sars-CoV-2 no Brasil na quarta semana epidemiol\u00f3gica, entre 19 e 25 de janeiro. O aumento sustentado no n\u00famero de infec\u00e7\u00f5es foi observado a partir da sexta semana epidemiol\u00f3gica, entre 2 e 8 de fevereiro, conforme apresentado no MonitoraCovid-19, sistema do Instituto de Comunica\u00e7\u00e3o e Informa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica e Tecnol\u00f3gica em Sa\u00fade (Icict\/Fiocruz).<\/p>\n<p>&#8220;Esses dados epidemiol\u00f3gicos confirmam a introdu\u00e7\u00e3o do Sars-CoV-2 no Brasil desde o fim de janeiro e claramente sustentam nossos resultados, que apontam que o v\u00edrus estava circulando na popula\u00e7\u00e3o brasileira desde o in\u00edcio de fevereiro&#8221;, pontua Gonzalo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O novo coronav\u00edrus j\u00e1 estava circulando havia pelo menos 20 dias no Brasil quando multid\u00f5es tomaram as ruas de grandes cidades para celebrar o carnaval, revela um estudo divulgado nesta segunda-feira, 11, pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC\/Fiocruz). 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