{"id":6970,"date":"2020-06-03T00:51:18","date_gmt":"2020-06-03T00:51:18","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=6970"},"modified":"2020-06-03T00:51:18","modified_gmt":"2020-06-03T00:51:18","slug":"brasil-bate-recorde-com-1-262-mortes-em-um-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/06\/03\/brasil-bate-recorde-com-1-262-mortes-em-um-dia\/","title":{"rendered":"Brasil bate recorde com 1.262 mortes em um dia"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil ultrapassou a marca das 30 mil mortes em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus nesta ter\u00e7a-feira, 2, com o registro de 1.262 \u00f3bitos nas \u00faltimas 24 horas, informou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. O Pa\u00eds levou 79 dias para atingir esse patamar ap\u00f3s a primeira v\u00edtima morrer em 16 de mar\u00e7o \u2014 a confirma\u00e7\u00e3o foi feita no dia seguinte. Apenas quatro pa\u00edses superaram a marca das 30 mil mortes: Estados Unidos, Reino Unido, It\u00e1lia e agora o Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;O n\u00famero de 30 mil \u00e9 significativo e mostra o desastre que estamos passando no Pa\u00eds. Esse n\u00famero indica a fal\u00eancia que foi o processo de conten\u00e7\u00e3o da covid-19 no Pa\u00eds. O pior \u00e9 que temos n\u00fameros ascendentes. Existe uma grande quantidade de casos n\u00e3o testados&#8221;, opina o epidemiologista Paulo Lotufo, professor da Faculdade de Medicina da USP.<\/p>\n<p>Do primeiro \u00f3bito at\u00e9 o marco das mil mortes, em 10 de abril, foram 25 dias. Quase um m\u00eas depois, em 9 de maio, o Pa\u00eds passou das 10 mil v\u00edtimas, 54 dias ap\u00f3s a primeira. Dali para as 20 mil mortes, foram apenas 12 dias e depois mais 11 dias at\u00e9 a marca dos 30 mil mortos. O n\u00famero de mortes por complica\u00e7\u00f5es da covid-19 no Brasil dobrou em pouco mais de duas semanas. &#8220;Alcan\u00e7amos 30 mil mortes em menos de tr\u00eas meses. A infec\u00e7\u00e3o est\u00e1 se propagando de maneira grave. A perspectiva \u00e9 de impot\u00eancia. Uma vez que o v\u00edrus se propaga, \u00e9 dif\u00edcil cont\u00ea-lo. A capacidade de resposta \u00e9 ampla, mas estamos caminhando para uma satura\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o infectologia Jos\u00e9 David Urba\u00e9z, da Sociedade Brasileira de Infectologia.<\/p>\n<p>Embora a velocidade de cont\u00e1gio esteja acelerada, os outros pa\u00edses demoraram menos tempo para alcan\u00e7ar a marca de 30 mil \u00f3bitos. Nos Estados Unidos, ela foi atingida no 47.\u00ba dia ap\u00f3s a primeira morte; no Reino Unido, no dia 59.\u00ba dia. A velocidade com que as mortes ocorrem est\u00e1 ligada ao n\u00famero de pessoas infectadas. Gabriela Cybis, professora do Instituto de Matem\u00e1tica e Estat\u00edstica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, afirma que o processo de transmiss\u00e3o depende da quantidade de casos. &#8220;Se existem muitas pessoas infectadas, a tend\u00eancia \u00e9 que o n\u00famero cres\u00e7a r\u00e1pido. Esse efeito multiplicativo \u00e9 uma decorr\u00eancia, entre outras coisas, da matem\u00e1tica do processo e da din\u00e2mica social de intera\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O epidemiologista Pedro Hallal coordena um estudo no Rio Grande do Sul sobre o n\u00famero de infectados. A pesquisa, a primeira em \u00e2mbito nacional, estima que o n\u00famero de casos seria sete vezes maior no Brasil. &#8220;Se repetir o padr\u00e3o dos pa\u00edses que t\u00eam est\u00e1gios mais avan\u00e7ados, estamos muito perto do pico no Brasil&#8221;, diz Hallal.<\/p>\n<p>Alguns Estados t\u00eam adotado planos de reabertura que, ainda que graduais, podem alterar o fluxo da epidemia e prolongar a chegada do pico. \u00c9 o caso de S\u00e3o Paulo, cujo governador, Jo\u00e3o Doria, anunciou uma retomada em cinco fases a partir deste m\u00eas apenas 15 dias ap\u00f3s registrar recorde de novos casos do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>&#8220;Praticamente todos os pa\u00edses que j\u00e1 passaram por essa fase, no momento do pico ou ao redor do pico, estavam fechados. O Brasil est\u00e1 aplicando um modelo diferente&#8221;, diz Hallal. Ao redor do mundo, conforme mostrou o Estad\u00e3o, os pa\u00edses mais afetados pela pandemia esperaram, pelo menos, um m\u00eas ap\u00f3s o pico para iniciar a reabertura. Segundo o epidemiologista, o Pa\u00eds at\u00e9 come\u00e7ou a fechar cedo, na hora certa, mas tem adotado uma reabertura precipitada.<\/p>\n<p>Rafaela Rosa-Ribeiro, doutora em biologia celular e estrutural e que trabalha atualmente com um grupo de virologistas no Ospedale San Raffaele, em Mil\u00e3o, na It\u00e1lia, lembra que o Brasil possui elevado n\u00famero de casos e realiza poucos testes. &#8220;Pode ser que a situa\u00e7\u00e3o seja ainda mais cr\u00edtica nas pr\u00f3ximas semanas&#8221;, alerta a brasileira.<\/p>\n<p>A especialista faz uma compara\u00e7\u00e3o entre Brasil e It\u00e1lia. Depois de ser o epicentro da doen\u00e7a na Europa, os italianos chegaram aos 33 mil mortos e agora iniciam a retomada das atividades econ\u00f4micas. &#8220;Aqui na It\u00e1lia n\u00e3o tivemos a fase de nega\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a. Assim que ela estava se espalhando, os cidad\u00e3os e os l\u00edderes j\u00e1 assumiram suas responsabilidades para tentar frear o espalhamento e se organizar em termos de atendimentos m\u00e9dicos e ajuda social. Quando chegamos a esse n\u00famero, j\u00e1 est\u00e1vamos fazendo medidas importantes e havia uma expectativa de quando os casos come\u00e7ariam a baixar. Havia esperan\u00e7a&#8221;, diz a especialista.<\/p>\n<p>No dia 19 de maio, o Brasil registrou 1.179 mortes no per\u00edodo de 24 horas. No dia seguinte, caiu para 888 \u00f3bitos contabilizados em um dia, mas em 21 de mar\u00e7o teve um novo recorde de 1.188 mortos. E por quatro dias seguidos, de 26 a 29 de maio, foram registradas mais de mil mortes pelo novo coronav\u00edrus em 24 horas. Atenta para a situa\u00e7\u00e3o da pandemia no Brasil e em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade diz que o pico do novo coronav\u00edrus no continente ainda n\u00e3o foi atingido. Em 22 de maio, a entidade classificou a Am\u00e9rica do Sul como o novo epicentro da pandemia, destacando que o Brasil \u00e9 o local mais afetado da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor do Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da USP, Eliseu Waldman, afirma que, em m\u00e9dia, o Brasil tem um aumento de casos e mortes devido \u00e0 covid-19. Para ele, a expans\u00e3o da doen\u00e7a para algumas capitais, como a de Mato Grosso, por exemplo, e a interioriza\u00e7\u00e3o do v\u00edrus preocupam. &#8220;Acho que os prefeitos, pressionados pelas for\u00e7as econ\u00f4micas de elite da cidade, acaba cedendo (na reabertura) e voc\u00ea tem aumento (de casos)&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O fato de o Pa\u00eds n\u00e3o ter conseguido construir um consenso sobre as medidas de distanciamento social, delegado a governadores e prefeitos a decis\u00e3o de abrir ou fechar suas regi\u00f5es, tamb\u00e9m tem impacto no aumento da pandemia. &#8220;A gente est\u00e1 pagando um pre\u00e7o por isso&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda n\u00e3o sabemos o tamanho do impacto da interioriza\u00e7\u00e3o da epidemia. Provavelmente, cada Estado vai ser diferente e cidades pequenas e m\u00e9dias ter\u00e3o maior impacto porque n\u00e3o t\u00eam estrutura m\u00e9dica para atender&#8221;, analisa Waldman. &#8220;O pr\u00f3ximo m\u00eas n\u00e3o ser\u00e1 muito bom para o Brasil nem Am\u00e9rica Latina&#8221;, prev\u00ea o professor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil ultrapassou a marca das 30 mil mortes em decorr\u00eancia do novo coronav\u00edrus nesta ter\u00e7a-feira, 2, com o registro de 1.262 \u00f3bitos nas \u00faltimas 24 horas, informou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. 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