{"id":8865,"date":"2020-08-22T18:01:36","date_gmt":"2020-08-22T18:01:36","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=8865"},"modified":"2020-08-22T18:01:36","modified_gmt":"2020-08-22T18:01:36","slug":"reabertura-de-escolas-seria-segura-com-ate-20-dos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/08\/22\/reabertura-de-escolas-seria-segura-com-ate-20-dos-alunos\/","title":{"rendered":"Reabertura de escolas seria segura com at\u00e9 20% dos alunos"},"content":{"rendered":"<p>A propor\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de estudantes que poderiam voltar \u00e0s aulas presenciais no Estado de S\u00e3o Paulo com nenhuma infec\u00e7\u00e3o ou baixo risco de cont\u00e1gio pelo novo coronav\u00edrus est\u00e1 entre 6,86% e 20,27%, considerando o cumprimento dos protocolos sanit\u00e1rios. No cen\u00e1rio em que a minoria segue as recomenda\u00e7\u00f5es, seria preciso ter de 3,73% a 11% da quantidade de alunos no col\u00e9gio para uma reabertura com maior seguran\u00e7a. Isso \u00e9 o que calculam os pesquisadores dos grupos A\u00e7\u00e3o Covid-19 e Rede Escola P\u00fablica e Universidade, que lan\u00e7aram esta semana uma ferramenta p\u00fablica de simula\u00e7\u00e3o sobre riscos da reabertura das escolas.<\/p>\n<p>O plano de retomada gradual de aulas no Estado prev\u00ea o retorno de 35% dos estudantes em uma primeira etapa. Seguindo esse planejamento, o simulador de dispers\u00e3o do v\u00edrus mostra que, mesmo que alunos, professores e funcion\u00e1rios respeitem as medidas de distanciamento social e de higiene, de 11% a 46% dos indiv\u00edduos estariam infectados ap\u00f3s 60 dias letivos, a depender das caracter\u00edsticas das escolas. Inicialmente, o governo cogitou o retorno com a parcela de 20% dos alunos na primeira fase, mas a ideia foi abandonada depois.<\/p>\n<p>No Estado de S\u00e3o Paulo, o governador adotou o dia 7 de outubro como data oficial para o retorno das aulas presenciais nas redes p\u00fablica e privada de ensino. Por\u00e9m, deixou como opcional a volta para atividades de refor\u00e7o em 8 de setembro. Com isso, o retorno vai depender da autoriza\u00e7\u00e3o das prefeituras e do planejamento de cada escola. O prefeito Bruno Covas (PSDB), por exemplo, j\u00e1 descartou a retomada no m\u00eas que vem. O governo estadual e a Prefeitura t\u00eam afirmado que v\u00e3o seguir as recomenda\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas para liberar o retorno das classes e dizem que v\u00e3o investir em medidas de higiene e distanciamento para minimizar os riscos.<\/p>\n<p>Um fator importante nas an\u00e1lises para dispers\u00e3o do v\u00edrus \u00e9 a densidade de pessoas nas institui\u00e7\u00f5es de ensino, ou seja, o n\u00famero de estudantes e profissionais em determinada \u00e1rea. Segundo os pesquisadores, esse crit\u00e9rio est\u00e1 relacionado \u00e0 frequ\u00eancia de contato entre as pessoas e, consequentemente, \u00e0 maior ou menor probabilidade de transmiss\u00e3o do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Na nota t\u00e9cnica que serve para compreens\u00e3o do simulador, a equipe destaca que o material foi produzido &#8220;com o objetivo de contribuir nos debates sobre a proposta de retorno a atividades escolares presenciais no Estado de S\u00e3o Paulo e, sobretudo, de apoiar escolas e comunidades escolares na compreens\u00e3o dos fatores que influenciam (ou at\u00e9 inviabilizam) a reabertura proposta pelo governo estadual&#8221;. Sendo assim, trata-se mais de um artif\u00edcio de an\u00e1lise, n\u00e3o de previs\u00e3o do que realmente vai acontecer no retorno \u00e0s aulas presenciais.<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es foram realizadas para quatro cen\u00e1rios distintos, com exemplos extremos de alta e baixa densidade em escolas estaduais hipot\u00e9ticas na cidade de S\u00e3o Paulo. Uma seria em Pinheiros (zona oeste), com 400 estudantes e 9 mil metros quadrados de \u00e1rea (considerada dispersa), e a outra ficaria na Brasil\u00e2ndia (zona norte), com 70<\/p>\n<p>0 alunos e 6,5 mil metros quadrados (comprimida). Para todas, foi levado em conta o total de 35% dos alunos proposto na fase 1 de reabertura, al\u00e9m de professores e demais profissionais.<\/p>\n<p>De acordo com a calibragem do simulador, foi estabelecido que a chance de transmiss\u00e3o do v\u00edrus em uma escola pode ser de 39% e que ocorre uma nova infec\u00e7\u00e3o a cada dez dias na unidade escolar. Foram considerados tr\u00eas momentos de maior intera\u00e7\u00e3o pessoal: hor\u00e1rios de entrada, intervalo e sa\u00edda.<\/p>\n<p>Cen\u00e1rios<\/p>\n<p>No primeiro cen\u00e1rio, o melhor poss\u00edvel, uma escola mais comprimida inicia as aulas com 307 pessoas, uma delas j\u00e1 infectada pelo coronav\u00edrus, e o c\u00e1lculo considera que 70% delas n\u00e3o circulam pelo ambiente. Mesmo que a maioria respeite as medidas de distanciamento social e higiene, 46,35% delas seriam contaminadas e 0,30% morreriam ap\u00f3s 60 dias letivos. Na segunda hip\u00f3tese, em uma escola dispersa que come\u00e7a com 110 pessoas, uma delas infectada, o mesmo per\u00edodo terminaria com 10,76% delas infectadas e 0,03% de \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Nos dois cen\u00e1rios seguintes, foi investigado qual seria o n\u00famero m\u00e1ximo ideal de pessoas dentro da escola para que houvesse baixa ou nenhuma infec\u00e7\u00e3o, ou seja, apenas dois indiv\u00edduos infectados ao longo dos 60 dias. Considerando apenas os estudantes, seria preciso 6,86% deles na escola mais comprimida e 20,27% na mais dispersa para uma reabertura mais segura.<\/p>\n<p>&#8220;Na escola mais adensada (comprimida), o porcentual encontrado torna invi\u00e1vel, na pr\u00e1tica, sua reabertura em condi\u00e7\u00f5es de maior seguran\u00e7a. Quanto \u00e0 escola dispersa, hipoteticamente situada em Pinheiros, poderia restar a hip\u00f3tese de reabertura em esquema de revezamento entre os estudantes, com atendimento de grupos de cerca de 20% dos estudantes a cada dia. Para que todos fossem atendidos, a frequ\u00eancia estaria, assim, limitada ao m\u00e1ximo de uma vez a cada cinco dias, isso na mais favor\u00e1vel das hip\u00f3teses&#8221;, dizem os pesquisadores. Por\u00e9m, eles observam que reabrir com essas restri\u00e7\u00f5es acentuaria as desigualdades sociais, principalmente para os estudantes e escolas em piores condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>No \u00faltimo cen\u00e1rio, se a minoria das pessoas respeitasse as medidas de higiene e distanciamento, seria preciso ter 3,73% de estudantes na escola mais comprimida e 11% na mais dispersa. &#8220;Nesse cen\u00e1rio, para garantir uma reabertura mais segura das unidades escolares e atendimento, ainda que limitado, de todos os estudantes em esquema de revezamento, o resultado das simula\u00e7\u00f5es indica que estes deveriam frequentar as unidades escolares a cada nove dias (escolas dispersas) ou a cada 27 dias (escolas comprimidas), o que \u00e9 uma clara inviabilidade pr\u00e1tica para a retomada das atividades presenciais nas escolas&#8221;, apontam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A propor\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de estudantes que poderiam voltar \u00e0s aulas presenciais no Estado de S\u00e3o Paulo com nenhuma infec\u00e7\u00e3o ou baixo risco de cont\u00e1gio pelo novo coronav\u00edrus est\u00e1 entre 6,86% e 20,27%, considerando o cumprimento dos protocolos sanit\u00e1rios. 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