{"id":9098,"date":"2020-09-01T12:52:13","date_gmt":"2020-09-01T12:52:13","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=9098"},"modified":"2020-09-01T12:52:13","modified_gmt":"2020-09-01T12:52:13","slug":"ministerio-discute-incluir-cloroquina-na-farmacia-popular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/09\/01\/ministerio-discute-incluir-cloroquina-na-farmacia-popular\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio discute incluir cloroquina na Farm\u00e1cia Popular"},"content":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade discute a inclus\u00e3o de medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada contra a covid-19 no rol de produtos fornecidos gratuitamente ou com desconto de at\u00e9 90% pelo Programa Farm\u00e1cia Popular. Segundo documentos obtidos pelo Estad\u00e3o, desde o come\u00e7o de julho a pasta faz estudos sobre a &#8220;viabilidade econ\u00f4mica&#8221; de distribuir sulfato de hidroxicloroquina 400 mg, ivermectina 6 mg e azitromicina 500 mg para contaminados pelo v\u00edrus, que j\u00e1 matou 120 mil pessoas no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se confirmada a mudan\u00e7a, esses medicamentos passam a ser subsidiados pelo programa, que tem or\u00e7amento de R$ 2,5 bilh\u00f5es para este ano. A cifra, hoje, \u00e9 destinada a reembolsar farm\u00e1cias credenciadas em cerca de 80% dos munic\u00edpios do Pa\u00eds pela venda de 35 produtos. S\u00e3o 20 f\u00e1rmacos gratuitos, como os de diabete e hipertens\u00e3o. Os descontos tamb\u00e9m se aplicam a contraceptivos e fraldas geri\u00e1tricas. Segundo a tabela de pre\u00e7os definida pelo governo federal, custa R$ 25 cada caixa com dez comprimidos de sulfato de hidroxicloroquina 400 mg, medicamento indicado na bula para artrite reumatoide, l\u00fapus e mal\u00e1ria. J\u00e1 dez comprimidos do antibi\u00f3tico azitromicina 500 mg valem R$ 35. Enquanto caixas com dois comprimidos do verm\u00edfugo ivermectina 6 mg custam R$ 15. Os valores consideraram al\u00edquotas de ICMS cobradas em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mesmo sem efic\u00e1cia comprovada, as drogas viraram aposta do presidente Jair Bolsonaro na estrat\u00e9gia de resposta \u00e0 pandemia no Brasil. Dois ministros da Sa\u00fade (Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich) deixaram o governo, entre outros motivos, por diverg\u00eancias com o presidente sobre a prescri\u00e7\u00e3o desses medicamentos.<\/p>\n<p>Na gest\u00e3o interina do general Eduardo Pazuello, que come\u00e7ou em maio, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mudou radicalmente de discurso e atendeu aos pedidos de Bolsonaro. A pasta passou a recomendar o uso destes rem\u00e9dios desde os primeiros sintomas da covid-19, contrariando orienta\u00e7\u00f5es de entidades m\u00e9dicas e cient\u00edficas, como a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS). O pr\u00f3prio Bolsonaro e a primeira-dama, Michelle, disseram ter se tratado com os medicamentos.<\/p>\n<p><strong>Fim do programa<\/strong><\/p>\n<p>As discuss\u00f5es ocorrem no mesmo momento em que a equipe econ\u00f4mica estuda proposta para extinguir o Farm\u00e1cia Popular para tirar do papel o Renda Brasil, programa que deve substituir o Bolsa Fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Como revelou o Estad\u00e3o, a equipe econ\u00f4mica considera o programa do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade ineficiente por contemplar todas as pessoas, independentemente da renda. Segundo dados do governo, mais de 21,3 milh\u00f5es de pacientes foram atendidos pelo Farm\u00e1cia Popular em 2019. &#8220;Evid\u00eancias demonstraram que o programa reduziu as interna\u00e7\u00f5es hospitalares e mortalidade em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 hipertens\u00e3o e diabete&#8221;, afirma o minist\u00e9rio no Plano Nacional de Sa\u00fade, que orienta a\u00e7\u00f5es da pasta at\u00e9 2023.<\/p>\n<p>A portaria do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para alterar o rol de produtos do programa est\u00e1 pronta, segundo afirmou ao Estad\u00e3o um integrante do governo que acompanha a discuss\u00e3o. O processo est\u00e1 marcado como sigiloso no sistema da pasta por conter &#8220;informa\u00e7\u00e3o pessoal&#8221;.<\/p>\n<p>Para embasar a inclus\u00e3o dos medicamentos no Farm\u00e1cia Popular, o secret\u00e1rio de Ci\u00eancia, Tecnologia e Insumos Estrat\u00e9gicos (SCTIE) do minist\u00e9rio, H\u00e9lio Angotti Neto, pediu a auxiliares, ainda no come\u00e7o de julho, estimativas de quantos pacientes da covid-19 devem ser tratados em 2020 e 2021. Em outro of\u00edcio, o mesmo secret\u00e1rio tamb\u00e9m solicitou \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) acesso a banco de dados de relat\u00f3rios de comercializa\u00e7\u00e3o desses medicamentos. &#8220;Ressaltamos que as informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o fundamentais para previs\u00e3o de impacto or\u00e7ament\u00e1rio para oferta por meio de a\u00e7\u00f5es ou programas da assist\u00eancia farmac\u00eautica&#8221;, afirmou Neto.<\/p>\n<p><strong>Filosofia<\/strong><\/p>\n<p>Para Paulo Lotufo, professor de epidemiologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, a inclus\u00e3o fere a &#8220;filosofia&#8221; do Farm\u00e1cia Popular. &#8220;O grande objetivo com o programa \u00e9 reduzir o impacto em interna\u00e7\u00f5es e mortes por doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como hipertens\u00e3o, diabete e asma. N\u00e3o tem o m\u00ednimo sentido fazer a inclus\u00e3o de algo que ainda est\u00e1 sobrando, sendo distribu\u00eddo a rodo&#8221;, afirmou. Procurado, o minist\u00e9rio afirmou que adota a\u00e7\u00f5es &#8220;para o enfrentamento da pandemia&#8221; e &#8220;toda e qualquer medida a ser adotada ser\u00e1 oportunamente comunicada&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fonte: Terra<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade discute a inclus\u00e3o de medicamentos sem efic\u00e1cia comprovada contra a covid-19 no rol de produtos fornecidos gratuitamente ou com desconto de at\u00e9 90% pelo Programa Farm\u00e1cia Popular. 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