{"id":9952,"date":"2020-10-09T16:50:19","date_gmt":"2020-10-09T16:50:19","guid":{"rendered":"https:\/\/oparanews.com.br\/?p=9952"},"modified":"2020-10-09T16:50:19","modified_gmt":"2020-10-09T16:50:19","slug":"desmatamento-da-amazonia-cai-pelo-3o-mes-mas-segue-alto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.oparanews.com.br\/index.php\/2020\/10\/09\/desmatamento-da-amazonia-cai-pelo-3o-mes-mas-segue-alto\/","title":{"rendered":"Desmatamento da Amaz\u00f4nia cai pelo 3\u00ba m\u00eas, mas segue alto"},"content":{"rendered":"<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia registrou queda na compara\u00e7\u00e3o anual pelo terceiro m\u00eas seguido, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira, que mostraram tamb\u00e9m, no entanto, que a devasta\u00e7\u00e3o da floresta segue em patamares elevados na compara\u00e7\u00e3o com anos anteriores a 2019.<\/p>\n<p>De acordo com n\u00fameros do sistema Deter, do Inpe, que aponta alertas de desmatamento e tempo real, a Amaz\u00f4nia perdeu 964 quil\u00f4metros quadrados de floresta em setembro, uma queda de 33,7% em compara\u00e7\u00e3o com os 1.454 quil\u00f4metros quadrados desmatados em setembro do ano passado, mas um n\u00famero maior do que os registrados nos meses de setembro de 2015, 2016, 2017 e 2018.<\/p>\n<p>De janeiro a setembro deste ano, o desmatamento da floresta tropical somou 7.063 quil\u00f4metros quadrados, uma queda de 10,25% ma compara\u00e7\u00e3o com os primeiros nove meses de 2019, mas patamar tamb\u00e9m bastante superior ao registrado entre 2015 e 2018, quando o maior acumulado em nove meses foi de 4.899 quil\u00f4metros quadrados registrados em 2016.<\/p>\n<p>Ambientalistas culpam o governo do presidente Jair Bolsonaro, que reduziu os mecanismos de fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental e defende a minera\u00e7\u00e3o e a agricultura em \u00e1reas protegidas da Amaz\u00f4nia, por incentivar madeireiros ilegais, grileiros e garimpeiros a destru\u00edrem a floresta.<\/p>\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o do desmatamento ainda \u00e9 p\u00e9ssima, os n\u00fameros ainda s\u00e3o horr\u00edveis e continuam inaceit\u00e1veis. A marca s\u00f3 parece boa se ela for comparada ao recorde negativo do pr\u00f3prio go verno&#8221;, disse o secret\u00e1rio-executivo do Observat\u00f3rio do Clima, Marcio Astrini, em \u00e1udio enviado \u00e0 Reuters.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 para a gente ter uma ideia, se a gente pegar os n\u00fameros dos anos imediatamente anteriores ao governo Bolsonaro &#8211;2016, 2017 e 2018&#8211; eles s\u00e3o bem menores do que os que foram divulgados agora em 2020&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&#8220;Antes a gente media desmatamento na Amaz\u00f4nia na casa de centenas de quil\u00f4metros e com o Bolsonaro a gente inaugurou uma nova era em que a gente mede alertas de desmatamento na casa dos milhares de quil\u00f4metros quadrados. Dos 19 meses do governo, 15 foram de piores marcas em termos de alertas de desmatamento.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do desmatamento, a Amaz\u00f4nia tem sofrido com queimadas, que tamb\u00e9m atingiram o Pantanal. Este cen\u00e1rio levou a um aumento da press\u00e3o internacional sobre o governo Bolsonaro por causa de sua pol\u00edtica ambiental e levou o governo a enviar as For\u00e7as Armadas para conter crimes ambientais na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Bolsonaro diz que pretende tirar a regi\u00e3o da pobreza e que a quantidade de floresta ainda preservada mostra que o Brasil \u00e9 um modelo ambiental. Ele tamb\u00e9m aponta que h\u00e1 interesses e cobi\u00e7a internacional sobre a Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Na semana passada, durante debate entre candidatos \u00e0 Presid\u00eancia dos Estados Unidos, o postulante democrata Joe Biden prop\u00f4s um esfor\u00e7o para fornecer 20 bilh\u00f5es de d\u00f3lares em financiamento para a preserva\u00e7\u00e3o da floresta e amea\u00e7ou o Brasil com &#8220;consequ\u00eancias econ\u00f4micas significativas&#8221; se o pa\u00eds n\u00e3o parar o desmatamento.<\/p>\n<p>Em resposta, Bolsonaro disse que a declara\u00e7\u00e3o do candidato democrata sobre a Amaz\u00f4nia foi &#8220;desastrosa e gratuita&#8221; e que ele fez uma amea\u00e7a infundada.<\/p>\n<p>Procurado, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente n\u00e3o se manifestou sobre os dados divulgado nesta sexta.<\/p>\n<p>Apesar da queda nos dados mensais de desmatamento, o dado oficial sobre a perda florestal de 2020 deve registrar uma nova alta.<\/p>\n<p>A medi\u00e7\u00e3o anual do desmatamento da Amaz\u00f4nia \u00e9 feita pelo sistema Prodes, tamb\u00e9m do Inpe, entre os meses de agosto de um ano a julho do ano seguinte. De acordo com os dados do Deter, que costumam ser menores que os do Prodes, entre agosto de 2019 e julho de 2020, o desmatamento foi de 9.216 quil\u00f4metros quadrados, alta de 34,6% na compara\u00e7\u00e3o com o per\u00edodo anterior.<\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa da Amaz\u00f4nia (Ipam) estima que o dado anual sobre desmatamento para o per\u00edodo 2019\/2020, que deve ser divulgado em novembro, ficar\u00e1 acima de 14 mil quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>(Com reportagem adicional de Jake Spring)<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O desmatamento da Amaz\u00f4nia registrou queda na compara\u00e7\u00e3o anual pelo terceiro m\u00eas seguido, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) divulgados nesta sexta-feira, que mostraram tamb\u00e9m, no entanto, que a devasta\u00e7\u00e3o da floresta segue em patamares elevados na compara\u00e7\u00e3o com anos anteriores a 2019. 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