Vasco trabalha cenário de Série B e perda de até R$ 100 mi

Em longa reunião realizada em São Januário entre 15h e 19h desta segunda-feira, Jorge Salgado, todos os vice-presidentes do clube, o CEO Luiz Mello e o executivo de futebol Alexandre Pássaro sentaram-se para planejar o cenário da Segunda Divisão, já que o Vasco está virtualmente rebaixado no Campeonato Brasileiro.

Quando elaborou o Plano de 100 dias e posteriormente o Plano de 15 dias para tentar salvar o clube da degola, a diretoria sempre trabalhou com a permanência na elite do futebol brasileiro. Os resultados não vieram, e o iminente rebaixamento teve efeito de “meteoro”, termo utilizado durante o encontro desta segunda-feira, no Vasco.

Com o “impacto meteórico”, não restou outra alternativa à direção. A pauta principal da reunião foram sim os impactos da Série B. O mais significativo deles é a estimativa de uma perda que varia de R$ 80 milhões a R$ 100 milhões em receitas.

A questão financeira norteou a conversa, tanto que Adriano Mendes, VP de Finanças e Estratégia, e sua equipe apresentaram diversos cenários. Entre eles estão corte de pessoal e de despesas, mas fundamentalmente uma reforma estrutural.

Salgado e seus vices saíram da reunião com a impressão de que, embora tenham de administrar uma “tragédia” representada pelo rebaixamento, a crise vai obrigar a remodelagem de todo o funcionamento do clube com uma extensa reforma estrutural.

A diretoria prioriza dentro dessa transformação proposta mudanças no estatuto, melhoria no relacionamento com o sócio e se tornar um clube sustentável. O grupo entende que tal atitude não foi tomada especialmente nos três últimos anos e, por isso, o Vasco está à beira do quarto rebaixamento.

VP de marketing, Vitor Roma, que esteve na reunião, manifestou-se via Twitter. Não fez alusão direta somente à gestão de Alexandre Campello, mas também às de Roberto Dinamite e Eurico Miranda, que participaram dos outros três rebaixamentos.

– Como vascaíno, nesse momento a dor é profunda. Todo o sentimento de indignação e tristeza da torcida é absolutamente legítimo. A torcida é a razão de ser do Vasco e todo sentimento que vem dela é sagrado. Vamos trabalhar e muito pra promover as mudanças necessárias para que o Vasco retome o seu lugar de protagonista.

– O clube teve três chances para se reconstruir e falhou em todas. Não falharemos nessa. Tentamos dar condições para que este grupo saísse dessa: duas folhas em 20 dias, Benítez por empréstimo, treinador e diretor de futebol; nos esforçamos para dar a estrutura que precisavam (Atibaia, concentração integral, bichos, voo fretado, etc). A equipe não conseguiu reagir. É hora de falar pouco e entregar muito. E mesmo assim será menos do que a torcida do Vasco merece depois de tantos anos sofrendo. A mudança definitiva começa agora – afirmou Roma.

O presidente Jorge Salgado só falará oficialmente na próxima sexta-feira, quando concederá entrevista coletiva já com o cenário da próxima temporada desenhado. Ele provavelmente dividirá a mesa com Carlos Roberto Osório e Roberto Duque Estrada, primeiro e segundo vices-presidentes respectivamente.

Essas palavras de Roma reforçam o sentimento da nova diretoria do Vasco. Para eles, a conta que o clube está pagando não é dessa gestão. No entendimento de Salgado e seus pares, o problema advém da tumultuada eleição de 2018, na Lagoa, quando Campello foi eleito após ruptura com Julio Brant.

Luxa e elenco de 2021 ainda indefinidos

Embora Alexandre Pássaro, homem forte do futebol, tenha participado da reunião para traçar metas com vistas à Série B, pessoas que estiveram no encontro garantem que o futuro de Vanderlei Luxemburgo ainda não foi definido. Cortes de atletas ou contratações para o plantel que disputará a próxima temporada também não foram definidos.

Salários sem previsão

Outra preocupação que Jorge Salgado sempre reforça em entrevistas é a necessidade de manter os salários em dia. Atualmente o débito do clube com atletas e funcionários é de três meses: dezembro, janeiro e o 13º. A última folha, aliás, venceu nesta segunda-feira em acordo formal feito entre diretorias anteriores e o grupo de colaboradores.

A possibilidade de diminuir essa dívida foi aventada durante a reunião, o departamento financeiro tratou do tema, mas todos saíram com a impressão de que não haverá pagamentos até sexta-feira.

O Vasco contava com a premiação que todos os clubes que permanecem na Série A têm direito para pagar os débitos com funcionários e departamento de futebol. O 16º colocado, por exemplo, leva R$ 11 milhões. Com o planejamento voltado para a Série B, a direção terá de ir atrás de outros recursos para tentar quitar essa pendência.

Esperança viva de impugnar Vasco 0x2 Inter

O departamento jurídico também teve papel importante na reunião desta sexta-feira. Fizeram uma longa apresentação de como pretendem impugnar a derrota por 2 a 0 para o Internacional, sofrida no último dia 14. Na ocasião, Rodrigo Dourado marcou gol em posição duvidosa, e não houve checagem pelo VAR.

O Vasco ainda não recebeu o material da CBF com os áudios e vídeos do VAR daquela partida. Vale lembrar que no último sábado o STJD intimou a entidade que controla o futebol brasileiro a encaminhá-lo ao clube.

A direção entende que, dependendo do que receberá e consequentemente utilizará como prova, é possível, sim, anular o jogo entre Vasco e Internacional.

 

Fonte: GE

 

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo
OparaNews
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.