Chuvas provocam aumento de vazão e Rio São Francisco vai afetar cidades ribeirinhas de Alagoas

O aumento da vazão de água na hidrelétrica de Sobradinho no oeste da Bahia vai provocar inundações em regiões ribeirinhas de Alagoas. O alerta foi dado pelo presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do São Francisco, José Maciel Nunes, em entrevista aos Programas TV Mar News e Ministério do Povo, da Rádio 98,3 FM, na manhã desta quarta-feira (12).

Ele disse que, por conta do volume de água, o reservatório aumentou o acúmulo de água em 61% e, por conta disso, as comportas têm sido abertas de forma gradativa, o que consequentemente afetará a barragem de Xingó e cidades alagoanas. Na prática o aumento da vazão será quatro vezes maior que a atual, que é de 850 m³/s.

“Na verdade as fortes chuvas no oeste da Bahia fizeram com que ocorresse um aumento do volume de água no reservatório de Sobradinho. E o operador do sistema anunciou que vai aumentar em quatro vezes a vazão do Rio São Francisco hoje (12). Por isso estamos alertando as prefeituras para que mobilizem a população, porque, até o dia 24 deste mês, a vazão deve chegar a 4.000 m³/s por segundo”, explicou Maciel.

Sendo assim, todas as cidades abaixo da hidrelétrica de Xingó precisam se mobilizar para a retirada de pessoas, animais e produtos que estejam às margens do Rio São Francisco ou ainda nas ilhas formadas dentro do curso do Rio. Conforme explicou o presidente do comitê, estima-se que água irá tomar conta de tudo, pois o volume de água esperado só foi visto em 2009.

“Então por isso estamos alertando os prefeitos, a população e pescadores para que tirem os animais que estão em algumas ilhas, porque podem desaparecer. Essa ilhas foram se formando nos bancos de areia, porque o rio foi ficando muito raso. Para se ter uma ideia, não temos condições de saber quantos metros ele se elevará, uma vez que a água irá se espalhar por conta do alargamento das margens”, completou o presidente do CBHSF.

Atenção

O alerta feito pelo CBHSF é para que os prefeitos e a Defesa Civil dos municípios de Penedo, Piaçabuçu, São Brás, Porto Real do Colégio, Belo Monte, Pão de Açúcar e Igreja Nova ajam rápido para garantir a acomodação de pessoas, deslocamento de animais e equipamentos em tempo.

No momento, os dados repassados para o CBHSF indicam que irão ocorrer inundações na Várzea do Boacica, onde há plantação de arroz que deve ser afetada por conta do volume de água. Em São Brás, alguns distritos às margens do rio devem ser atingidos pelo avanço da água, que será gradativo. A prainha de Pão de Açúcar poderá desaparecer e toda a estrutura que está em sua extensão precisa ser esvaziada.

A maior preocupação, porém, é que algumas cidades não possuem estrutura nem Defesa Civil para o acolhimento das pessoas se houver necessidade. Neste momento, conforme explicou José Maciel, o mais importante é que a mobilização não deixe de acontecer.

“Há quatro anos o CBHSF realizou audiências públicas em todas as cidades ribeirinhas para estimular a formação de comissões de Defesa Civil. Mas, infelizmente, nem todos seguiram as orientações ou há aqueles gestores que criaram os grupos, mas não lhes deram estrutura necessária”, revelou Maciel.

As chuvas em Minas Gerais e na Bahia não cessaram e, por isso, o acúmulo de água em todas as barragens têm sido considerados acima do normal. Isso obriga o operador do sistema a regular a vazão. Como as empresas contam com técnicos especializados, inclusive, já existe um cronograma para o aumento gradual da vazão, que, consequentemente, irá afetar o avanço da água para as margens do rio.

XINGÓ

12/01/2022 – 1.000 m ³/s
14/01/2022 – 1.500 m ³/s
16/01/2022 – 2.000 m ³/s
18/01/2022 – 2.500 m ³/s
20/01/2022 – 3.000 m ³/s
22/01/2022 – 3.500 m ³/s
24/01/2022 – 4.000 m ³/s

 

por Marcos Rodrigues – Gazetaweb

 

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