Por reajuste salarial, funcionários dos Correios ameaçam deflagrar greve
Funcionários dos Correios vão se reunir em assembleia, nesta quinta-feira (8), para deliberar sobre a possibilidade de greve, diante da proposta de reajuste de 0% para a classe, assim como criação de um banco de horas que, segundo o sindicato, impactaria no recebimento do valor de horas extras. A proposta foi recebida após reunião realizada na última quinta-feira (1º), entre trabalhadores e representantes dos Correios, para negociação da campanha salarial 2021/2022. Para a classe, a oferta é absurda.
“Os Correios tiveram um lucro bilionário em 2020. Na semana do dia 22 de junho deste ano, recebemos um memorando de que batemos o recorde de entregas nacionais em uma semana, foram 10,2 milhões, quase 2 milhões de entregas por dia. Não há justificativa para o não reconhecimento do trabalho do servidor”, afirma Alysson Guerreiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Empresa dos Correios e Telégrafos em Alagoas (Sintect-AL).
Segundo Alysson, a classe estaria pedindo um aumento de 5%, a não a criação do banco de horas, além de solicitar novas contratações para o quadro de funcionários, alegando estarem com um quadro pequeno frente à demanda, e tendo o último concurso sido realizado ainda em 2011.
“Hoje, a gente vive sobrecarregado. Em 2011, tínhamos um quadro nacional de cerca de 125 mil servidores, 1.323 em Alagoas. Hoje, esse número baixou para 89 mil e, no estado, somos 853”, contabiliza o presidente. Ele salienta que a classe está aberta ao dialogo, mas, uma vez mantida a posição da empresa, irá deflagrar greve pela valorização dos trabalhos realizados no último ano.
Procurada, a Empresa de Correios e Telégrafos do Brasil (ECT) ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Privatização
O presidente do sindicato se posicionou, ainda, quanto à proposta de privatização da ECT, que tramita na Câmara Federal. Ele explica que, atualmente, frente à concorrência de empresas privadas, os Correios são a única instituição que possui filiais em todos os municípios do país.
“Será extremamente danoso. Muitas agências hoje não dão lucro, estão em municípios afastados, cumprindo um papel social, graças ao serviço público. Atualmente, somando desde empresas maiores até pequenos empreendimentos locais, há em torno de 2 mil concorrentes. Nenhum chega a todo o país e nenhum manterá essa função social com a manutenção necessária”, aponta ainda o sindicalista.
Incluída na pauta da Câmara Federal, o relatório do Projeto de Lei da privatização dos Correios 591/2021 deve ser entregue aos líderes ainda nesta terça-feira (6) pelo relator, deputado Gil Cutrim (Republicanos-MA).
De acordo com presidente da Câmara, deputado Arthur Lira, conforme o prazo máximo programado pelo BNDES, os deputados têm até o final do mês que vem para aprovar o texto. A proposta do Ministério da Economia prevê que a União se desfaça de 100% do capital da empresa.
por Lucas Carvalho – Gazetaweb



