Donos de pousada e eletricista viram réus por mortes de turistas em Maragogi
Os donos da Pousada Almaré e o eletricista responsável pela instalação se tornaram réus na Justiça de Alagoas pelas mortes de Luciana Klein, de 39 anos, e de seu filho, Arthur Klein Helfstein Alves, de 11. Eles morreram eletrocutados na piscina do local, em Maragogi, no Litoral Norte de Alagoas.
O g1 teve acesso nesta terça-feira (7) à decisão em que o juiz da Vara de Único Ofício de Maragogi recebe a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Alagoas (MP-AL).
Luciana e Arthur, naturais de São Paulo, morreram no dia 4 de janeiro após entrarem na piscina da Pousada Almaré. Inicialmente, a suspeita era de afogamento. As vítimas chegaram a ser socorridas, mas não resistiram.
Os réus são Thiago de Andrade Coly, Bruna Bernardes Azevedo e Eduardo Lins Bernardes Azevedo. O Ministério Público não especificou qual dos acusados é proprietário da pousada e qual atuou como eletricista.
O g1 tenta contato com as defesas.
Segundo a decisão, os três respondem por homicídio culposo (quando não há intenção de matar):
- Thiago de Andrade Coly: responde por homicídio culposo com aumento de pena;
- Bruna Bernardes Azevedo e Eduardo Lins Bernardes Azevedo: respondem por homicídio culposo por omissão.
Relembre o caso
Segundo o companheiro de Luciana, a família havia saído de São Paulo para passar férias em Alagoas e estava hospedada na pousada. Durante a estadia, eles perceberam que o chuveiro elétrico do quarto não funcionava. Pouco depois, ao sentir falta da mulher e do enteado, ele foi até a piscina da cobertura e encontrou os dois no fundo da água.
Ele relatou que retirou as vítimas da água e iniciou manobras de reanimação com a ajuda de outros hóspedes. O Corpo de Bombeiros foi acionado e encaminhou mãe e filho para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Maragogi, onde as mortes foram confirmadas.
Instalação irregular
O Instituto Médico Legal (IML) de Maceió informou, em 6 de janeiro, que Luciana e Arthur morreram em decorrência de um choque elétrico. Os exames cadavéricos identificaram sinais da passagem de corrente elétrica pelos corpos.
Antes da divulgação da causa da morte, a pousada havia divulgado uma nota classificando o caso como um “trágico incidente” e se solidarizado com familiares e amigos das vítimas.
Em 5 de fevereiro, o Instituto de Criminalística confirmou que o choque foi provocado por um varal de luzes. Segundo a perícia, a instalação descumpria diversas exigências da norma ABNT NBR 5410:2004.
O perito Diozênio Monteiro explicou que, por ser frequentemente molhado, o entorno da piscina era de alta criticidade, com risco de choques fatais para quem tocasse na água ou nas estruturas metálicas.
Fonte: G1/AL



