Soldados denunciam violência e abuso sexual dentro de quartel do Exército em Alagoas
Dois ex-soldados denunciaram casos de violência e abuso sexual dentro do 59º Batalhão de Infantaria Motorizado do Exército Brasileiro (BIMtz), localizado no bairro do Farol, em Maceió, na capital alagoana. As acusações foram formalizadas e entregues ao Ministério Público Federal (MPF) na última sexta-feira (10).
O g1 entrou em contato com o MPF, que confirmou o recebimento das denúncias. Segundo o órgão, por envolver militares, o caso será analisado para definir quem ficará responsável pelas investigações. A análise deve ocorrer nesta segunda-feira (13).
O Exército Brasileiro (EB) foi procurado para informar quais providências adotou após a denúncia, mas não retornou até a última atualização desta reportagem.
Denúncias
A segunda denúncia foi registrada em junho de 2025, segundo o advogado Alberto Jorge, que faz a defesa dos dois ex-soldados. Ele contou que o cliente, que não quis se identificar, foi levado até a câmara fria do quartel, onde foi obrigado a tirar a roupa, colocado de cabeça para baixo e agredido.
“Deixaram-no nu e, por mais de dois minutos, ficaram batendo nas nádegas dele. Ele estava há mais de um ano no Exército. Denunciou a situação em junho, quando sofreu essas barbáries”, explicou o advogado.
Alberto Jorge relatou ainda que entende a agressão como tortura. Segundo ele, participaram do crime um sargento, quatro cabos e um soldado.
“Isso tudo aconteceu durante o dia. Simplesmente chamaram a vítima para a câmara fria, onde fica o material de alimentação do Exército. Como foi uma ordem dada por um superior, ele foi na tentativa de cumpri-la”, afirmou.
Nas denúncias entregues ao MPF, o advogado pede que os dois sejam realocados para reserva remunerada, além de receberem indenização por danos morais, materiais e psicológicos.
Sequelas e ação
O advogado Alberto Jorge disse ainda que os dois clientes apresentam sequelas em decorrência dos abusos sofridos e que, após as denúncias, apesar de sindicâncias terem sido abertas para investigar os casos, foram expulsos das Forças Armadas.
A defesa afirmou que, atualmente, os dois não fazem parte nem da reserva militar do Exército.
Fonte: G1/AL



